12. Autoavaliação

12.1 Autoavaliação do Programa

12.1.1 Critérios, procedimentos e metodologia

A autoavaliação do Programa compreende-se, consoante a proposta de sistemática de autoavaliação dos Programas de Pós-Graduação divulgada pela CAPES em 2019 na forma de relatório do Grupo de Trabalho respectivo, como processo avaliativo conceituado e autogerido pelo próprio Programa.

Como reflexo do aprimoramento dos métodos de avaliação da Pós-Graduação em nível nacional, o PPGM-UFRJ deliberou, em 2019, pela implantação de uma política de autoavaliação permanente, a ser realizada por comissão constituída especificamente para este fim, com participação de membro externo ao PPG e à instituição. As conclusões alcançadas por esta Comissão de Autoavaliação são encaminhadas à Comissão Deliberativa do Programa na forma de pareceres circunstanciados.

Como critério geral norteador, coloca-se uma avaliação quantitativa e qualitativa dos processos de formação e qualificação discentes, a partir, entre outros parâmetros, de uma avaliação do desempenho nas disciplinas do Programa (dados consolidados pela Comissão de Bolsas), considerando ainda a qualidade da produção intelectual vinculada aos Projetos e Linhas de Pesquisa, através do que passa-se a considerar o grau de inserção do Programa em seus diversos âmbitos de atuação (local, regional, nacional, internacional).

As mais importantes dimensões deste processo de autoavaliação, que informam o planejamento institucional do Programa, são portanto o acompanhamento do corpo discente e de egressos e a avaliação do corpo docente, esta a partir de uma política de credenciamento e recredenciamento anual dos professores.

12.1.2 Acompanhamento do corpo discente e de egressos

Em complemento ao acompanhamento do corpo discente do Programa realizado individualmente pelos orientadores, coletivamente no âmbito dos Grupos de Pesquisa do Programa, e, no aspecto acadêmico-administrativo, pela Comissão Deliberativa e pela Secretaria Acadêmica do Programa (responsáveis, entre outras coisas, pela verificação do cumprimento dos requisitos necessários à titulação), está constituída no PPGM-UFRJ também uma Comissão de Bolsas, integrada pelo Coordenador do Programa e por representantes docente e discente.

Cabe a esta comissão aplicar e zelar pelo cumprimento das Normas para a Concessão de Bolsas de Demanda Social/CAPES do Programa, estabelecendo condições e obrigações decorrentes da concessão do benefício aos alunos do Programa. Trata-se de política bem-sucedida que, levando em consideração para a distribuição das bolsas disponíveis tanto conceitos obtidos em disciplinas do Programa quanto produções dos alunos, tem contribuído decisivamente para a fixação do corpo discente e elevação da qualidade dos trabalhos finais do Programa. A atuação da Comissão de Bolsas articula-se com a metodologia de autoavaliação do Programa na medida em gera e consolida dados que serão analisados pela Comissão de Autoavaliação.

Uma perspectiva de evolução presente é estender o acompanhamento do desempenho do corpo discente também ao conjunto dos egressos, notadamente no aspecto da atuação profissional. Contribui para este fim o fato de que parte dos egressos do PPGM-UFRJ se mantém vinculada ao Programa no âmbito de seus Projetos e Grupos de Pesquisa, muito frequentemente voltando a integrar seu corpo discente como doutorandos e pós-doutorandos.

12.1.3 Avaliação do corpo docente (fomento à formação e avaliação do desempenho)

Contando com o apoio das instâncias superiores da Universidade Federal do Rio de Janeiro no que se refere à política de fomento e formação continuada de seu corpo docente, o PPGM-UFRJ pode direcionar seus esforços de autoavaliação para a consistência da produtividade do corpo docente com as exigências contidas no regulamento interno e do ponto de vista da verticalidade da produção intelectual e atividades docentes em relação às Linhas de Pesquisa a que estão vinculados. Princípios, aliás, norteadores da política de credenciamento, recredenciamento e descredenciamento praticada no âmbito do Programa desde o triênio 2010-2013, e que levou desde então a uma substancial reconformação e qualificação de seu corpo docente.

Por delegação do Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) da UFRJ, a Comissão Deliberativa do PPGM-UFRJ realiza, com periodicidade anual e participação de avaliador externo, processo de credenciamento e recredenciamento de docentes para atuação no Programa. Em consonância com o que preceitua a Regulamentação Geral da Pós-Graduação stricto sensu desta universidade, o Programa, ao credenciar seus docentes, classifica-os em uma das 3 (três) seguintes categorias: a) docentes permanentes, o núcleo principal de docentes do Programa; b) docentes visitantes; c) docentes colaboradores.

Visando ao alcance das metas de curto, médio e longo prazo estabelecidas pelo Programa, e, portanto, do elevado padrão da contribuição que pretende trazer à área em toda sua variada extensão subdisciplinar, a política de credenciamento e recredenciamento do Programa fundamenta-se em indicadores de produtividade bibliográfica e/ou artística vinculada ao(s) projeto(s) de pesquisa do(s) qual(is) o docente participa (como coordenador ou membro de equipe) e à Linha de Pesquisa em que atua ou pretende atuar como orientador, e ainda em indicadores de participação nas atividades didáticas do Programa (conforme estabelecido no Regulamento do PPGM-UFRJ, disponível em https://ppgmufrj.files.wordpress.com/2016/06/ppgm-ufrj-regulamento-2014.pdf).

12.2 Planejamento institucional do Programa (histórico e perspectivas de evolução)

A partir do roteiro de autoavaliação acima delineado, considerando o desempenho de professores, alunos e egressos do Programa através de indicadores pelos quais se busca verificar a efetividade e relação das ações com seus objetivos declarados, o PPGM-UFRJ desenvolve o seu planejamento institucional, que reflete-se, entre outras coisas, na oferta anual de vagas nos seus cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado, na oferta semestral de disciplinas e no próprio processo de credenciamento de novos professores. Tendo passado por uma rápida expansão nos últimos cinco anos, quando, com um número estável de professores (variando de 32 a 31), viu seu corpo discente crescer de 94 alunos de Mestrado e Doutorado em 2015 (contra 57 de Mestrado apenas, em 2014) para os atuais 164 alunos com matrícula ativa em 2019, o PPGM-UFRJ enxerga hoje, como um de seus maiores desafios, o planejamento institucional de uma estrutura acadêmica complexa e de grande porte.

12.3 Pontos fortes do Programa

São considerados pontos fortes do PPGM-UFRJ:

a) A tradição da instituição e o perfil do corpo docente: apoiado no extenso histórico da Escola de Música da UFRJ, com 170 anos de tradição como escola de composição, de interpretação vocal e instrumental, e de pesquisa etnomusicológica e histórico-musical, do Conservatório Imperial ao Instituto Nacional de Música, até a moderna Escola de Música, o PPGM-UFRJ conta hoje com um corpo docente altamente qualificado, considerados fatores como titulação e compatibilidade entre formação, experiência profissional e Projetos de Pesquisa desenvolvidos no âmbito do Programa e a excelência de sua produção bibliográfica, artística e técnica;

b) Sua infraestrutura acadêmica, de grande importância histórica e cultural, incluindo salões de concerto de estrutura robusta (teatro de câmara e teatro de ópera), conectados à manutenção dos corpos estáveis da Escola de Música da UFRJ (Orquestra Sinfônica da UFRJ, coros mistos e infantil), que atendem a demandas da Graduação e da Pós-Graduação, sendo parte integrante da estrutura do Laboratório de Práticas Interpretativas (LaPI). Da mesma forma, a Biblioteca Alberto Nepomuceno reúne um dos mais importantes acervos de livros, periódicos e partituras da América Latina, referencial para pesquisas no campo da Musicologia. A localização na Torre Ventura, um dos mais avançados prédios da cidade, também fornece ao Programa recursos ideais para a consecução de seus objetivos, com internet, espaço físico e recursos de acesso especial;

c) A situação geográfico-cultural do Programa: graças à sua centralidade local e nacional, isto é, à sua localização no centro de em um histórico polo de irradiação cultural brasileiro, a antiga sede da Corte imperial, o PPGM-UFRJ tem como ponto forte sua inserção no corredor cultural da cidade e o consequente diálogo com outros centros, instituições e equipamentos culturais da mais alta relevância (Theatro Municipal, Sala Cecília Meireles, Museu Villa-Lobos etc.). Relacionando-se à longa tradição da Escola de Música da UFRJ no Rio de Janeiro, o fator responde também pela alta capacidade de nucleação que o Programa demonstra ter, ao longo de suas quatro décadas de existência.

d) A contribuição do corpo docente do Programa em atividades de Ensino e Pesquisa no âmbito dos cursos de Graduação da Escola de Música da UFRJ (Bacharelado e Licenciatura), que alcança uma dimensão bastante significativa: todos os docentes do Programa atuam na Graduação, sem exceção;

e) A qualidade das Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado defendidas nos últimos dez anos, continuamente reconhecida, assim como a consistência da produção intelectual do corpo discente e de egressos do Programa, veiculados em eventos científicos e publicados em periódicos qualificados (ainda que com muito espaço para desenvolvimento);

f) O interesse despertado pela qualidade das aulas, evidenciado na procura crescente pelos cursos e disciplinas do Programa, inclusive por alunos de outras IFEs e nacionalidades, bem como a eficiência na administração do afluxo de alunos, com a conclusão de seus cursos com um índice de evasão muito baixo e excelente tempo médio de titulação: abaixo do recomendado no Doutorado (47 meses em 2019), e pouco acima do recomendado no Mestrado Acadêmico (26 meses em 2019);

g) A preocupação com o desenvolvimento do contexto social em que está inserido e a interação direta com o seu entorno, refletidas em Linhas e Projetos de Pesquisa do Programa e na sua produção intelectual em geral, tendo como foco o trabalho com populações em situação de vulnerabilidade econômico-social e sofrimento, em áreas de conflito da cidade tais como as comunidades da Maré, Manguinhos, e com pessoas com necessidades especiais, em ações de apoio psíquico e de educação especial (Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Instituto Benjamin Constant e Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES)).

12.4 Pontos a serem aprimorados

Entre os aspectos do PPGM-UFRJ em relação aos quais espera-se aprimoramento nos próximos anos, conforme delineado no processo interno de autoavaliação, contam-se:

a) Uma maior integração entre Linhas e Projetos de Pesquisa, que no passado estiveram fragmentados e pouco verticalizados. Trata-se de processo ainda em curso, com bons resultados já obtidos, mas ainda há espaço para avançar. Espera-se que o amadurecimento dos Grupos de Pesquisa do Programa colaborem para este fim, promovendo diálogo entre Projetos e Linhas sem comprometer a verticalidade que espera-se da organização da estrutura do Programa;

b) Uma maior afluência de docentes, discentes e egressos a eventos científicos e artísticos em geral, que por razões diversas, relacionadas entre outras coisas ao financiamento do Programa, ainda não pode ser descrita como ideal. Também neste quesito a formalização dos Grupos de Pesquisa do PPGM-UFRJ tem colaborado fortemente, verificando-se uma maior participação dos membros do Programa em tais eventos ano após ano;

c) Relacionado ao ponto anterior, verifica-se ainda certo grau de desequilíbrio (em termos quantitativos) na produção intelectual do corpo de docentes permanentes do PPGM-UFRJ. Visando à superação do problema, desenvolve-se atualmente uma política interna de fomento à produção bibliográfica e de vinculação da produção artística aos Projetos de Pesquisa do Programa, com resultados satisfatórios em relação ao crescimento e equilíbrio nestas tipologias de produção, ainda superadas no Programa pela produção de caráter técnico;

d) A integração com a Graduação, malgrado a efetiva presença do corpo docente do Programa em seus cursos, traduz-se de forma ainda pouco satisfatória em participação de alunos em Projetos de Iniciação Científica, entre outras coisas em função da enorme dimensão da UFRJ, que com suas mais de cinquenta unidades não é ainda capaz de garantir pleno acesso a bolsas deste tipo; também a comunicação entre resultados de Projetos de Pesquisa do Programa e conteúdos das disciplinas de Graduação é ainda limitada, notando-se mais fortemente em apenas algumas Linhas de Pesquisa do Programa, muito embora todas as condições existam para uma evolução rápida neste ponto;

e) O alto custo de vida da cidade do Rio de Janeiro, questão que coloca-se para além das possibilidade de resolução pela UFRJ, tem dificultado a estadia de alunos e fixação de pesquisadores e colaboradores no PPGM-UFRJ, muito embora a taxa de evasão do Programa mantenha-se ainda muito baixa.