O grupo de pesquisa Novas Musicologias realiza sua III Jornada com o tema Musicologia da Voz II. O evento inclui comunicações e mesa redonda, com andamentos de pesquisas sobre a voz em suas diversas facetas musicológicas.

Com organização de Heliana Farah, Anita Posateri e Maria Alice Volpe, a Jornada ocorre no próximo dia 22 de agosto, de 8:30 às 19:50, e reúne docentes, discentes e pesquisadores, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Música

PROGRAMA E RESUMOS
Manhã

8:30 – Abertura e Pronunciamentos

9:00 às 11:00 – Gramofone, uma experiência perceptiva
Heliana Farah (UFRJ), Anita Posateri (Università di Bologna), Murilo Neves (UFRJ)

Por meio da audição de um equipamento original iremos analisar a antiga tecnologia versus a nova: uma viagem desde o início dos fonogramas até as gravações recentes, dos cantores de época aos atuais, da estética de ontem à de hoje.

11:00 às 11:30 – A voz como instrumento: uma proposta de metodologia de solfejo para cantores
Murilo Neves (UFRJ)

No ambiente musical, tanto profissional quanto amador, é comum a máxima de que cantor não é músico, ou ao menos não necessariamente. Paira mesmo, no inconsciente coletivo, a separação entre músicos e cantores. Alunos de instrumento normalmente passam por um processo pedagógico em que a leitura musical é inerente ao desenvolvimento do instrumento. Com o desenvolvimento de suas habilidades motoras no instrumento, desenvolve também sua habilidade de leitura. O mesmo não acontece com os estudantes cantores. O estudo de canto como conhecemos hoje em dia, totalmente dissociado do estudo musical, é quase invariavelmente composto por vocalizes. Também compostos por pequenas figuras musicais, são repetidos em diferentes tonalidades, de forma ascendente ou descendente, e via de regra não respeitam as limitações de extensão que nos instrumentos a princípio são impeditivas. Enquanto isso, nas aulas de percepção musical, os cantores são levados a praticar o solfejo (que, na prática, é a sua leitura no instrumento) sem prestar atenção aos aspectos técnicos do instrumento voz. Se voltarmos os olhos para os primórdios do ensino de canto, veremos que o desenvolvimento da voz e o estudo de música eram realizados simultaneamente. Tratadistas como Pier Francesco Tosi, Giovanni Battista Mancini, Thomas Bennett, Frederick Kingsburry, Samuel Dyer etc. Alguns com nomes sugestivos como o tratado de Thomas Simpson Cook Singing simplified in a series of solfeggios and exercises (1822). A proposta deste trabalho é desenvolver uma metodologia específica de estudo do solfejo ou leitura musical para cantores, que englobe questões específicas como a respiração, o ataque, a emissão, os registros e a tessitura. O objetivo é que o cantor desenvolva o solfejo como uma leitura ao instrumento, ou seja, a plena voz e com todos os padrões técnicos e de sonoridade esperados, levando inclusive a um estudo muito pouco cultivado nos estudos atualmente: a leitura à primeira vista com texto.

11:30 às 12:00 – Percepções sobre possibilidades técnicas e expressivas da École de Garcia na performance vocal recente
Luiz Henrique Ramos Ribeiro (UFRJ)

A presente comunicação propõe a apresentação de recursos técnicos e expressivos selecionados da École de Garcia e sua aplicação na performance vocal no período de transição entre os séculos XIX e XX. Por meio do exame de documentação escrita e fonográfica, indaga-se a transmutação da performance vocal ocorrida no decorrer do tempo até o presente, discutindo a possibilidade de coexistência e confluência de diferentes propostas vocais em prol do aperfeiçoamento da expressão musical. Por fim, tomando por base a asserção de Reynaldo Hahn (1990, p. 75), na qual o compositor alega que “o canto deve ser um instrumento que se presta à expressão de todos os sentimentos, de todos os pensamentos; portanto, deve, acima de tudo, manter-se neutro, flexível, passivo, submisso a todos os caprichos da mente do cantor”, pretende-se instigar a reflexão acerca da relação estabelecida entre as propostas indagadas durante a comunicação com a hipótese do cerceamento da expressão ocorrido na performance vocal da atualidade.

12:00 às 12:30 – Impacto da ampliação de extensão vocal da voz cantada sobre o PITCH da voz falada no transexual: um estudo de caso
Denise da Silva Souza (Theatro Municipal do Rio de Janeiro)

Introdução: Mudança do perfil vocal do transexual; diferença do PITCH – Voz Masculina/Voz feminina e como conseguir mais agudos na voz de um transexual. Objetivo: Investigar o impacto de técnicas de ampliação e extensão vocal sobre os parâmetros acústicos e perceptivos da voz falada de um indivíduo transexual. Metodologia: Consiste em um estudo de caso, longitudinal: Conclusão: O presente estudo conduz a conclusão de que o uso de técnicas de ampliação da extensão vocal do canto impacta positivamente sobre a voz do indivíduo transexual, de forma a elevar sua frequência fundamental.

Tarde

14:00 às 14:30 – A preparação vocal no trabalho da construção da sonoridade do coro infantil
Rachel de Abreu Pereira (UFRJ), Maria José Zezé Chevitarese(UFRJ)

Este artigo é parte de uma pesquisa sobre os aspectos da sonoridade para a construção da performance de coros infantis. O foco desta revisão de literatura é o estudo da técnica vocal aplicada a coros infantis e sua importância na construção da sonoridade do coro infantil.

14:30 às 15:00 – Revisitando O´Kinimbá
Andrea Albuquerque Adour da Camara (UFRJ), Sergio Anderson de Moura Miranda (UEMG)

Esse artigo apresenta novas descobertas de pesquisa a respeito da obra “O’ Kinimbá”, primeira canção do ciclo Cinco Canções Nordestinas do Folclore Brasileiro, Harmonizadas para Canto e Piano, de Ernani Braga. Por se tratar de obra no formato canto e piano, de origem folclórica e dedicada a Xangô, foi importante trabalhar com a etnografia, buscando entender a obra dentro da tradição que a originou, o candomblé, trazendo uma melhor compreensão a respeito da pronúncia do texto, construído na língua Africana, Iorubá. Do mesmo modo, o estudo da partitura musical enquanto fonte primária, juntamente com a compreensão histórica/cultural por trás do mito de Xangô, trouxe um melhor entendimento a respeito das escolhas musicais do compositor. Finalmente, esse trabalho vem complementar “O’ Kinimbá”, obra para canto e piano de Ernani Braga: uma análise para performance”, apresentada em 2014 no III SIMPOM (hospedado pela UFRJ), com respectivo artigo publicado nos anais. A nova descoberta é a de que o manuscrito realizado por Ernani Braga da recolha do tema no Recife foi localizado na publicação intitulada Estudos Afro-Brasileiros, que possuí duas edições: a primeira, organizada por Gilberto Freyre em fac-símile datada de 1935 e a segunda em 1988 realizada pela editora Massangana por iniciativa da Fundação José Bonifácio. Prefaciadas por Roquete Pinto e apresentadas por José Antônio Gonçalves de Mello, as edições foram realizadas a partir dos anais do 1º Congresso Afro-Brasileiro.

15:00 às 15:30 – Apophrades: Mario Reis, João Gilberto e a angústia da influência
Tiago de Souza (UFRJ)

Este estudo aborda a questão da influência de Mário Reis (1907-1981) nas interpretações vocais de João Gilberto (1931-). A partir de Chega de Saudade (1959) – o primeiro disco de Gilberto, considerado o marco zero da Bossa Nova – testemunhos indicam que o bossa novista seria “o novo Mário Reis”. A alcunha pode ser explicada basicamente pela recusa à estética do bel canto e a uma interpretação baseada em procedimentos que se situam nos limites entre a fala e o canto, características que o associariam ao tipo de performance vocal implementada por Reis. Entretanto, se por um lado, Gilberto raramente mencionava essa influência, por outro o “doutor do samba” a rejeitava educadamente. A partir dessas questões, buscaremos apontar possibilidades para o entendimento de uma situação específica: em uma entrevista o cantor reclama que um jornal, por ocasião do lançamento do disco Mário Reis (1971), tinha estampado que ele seria o “sucessor de João Gilberto”. Existe a possibilidade de um tom irônico na reportagem citada por Reis, porém, poderemos chegar a conclusões interessantes a partir da utilização do conceito de apophrades, oriundo das reflexões sobre a poética feitas por Bloom (2002). Postularemos a existência da chamada Angústia da Influência, que nesse caso se apresenta em um contexto onde um artista, ao “desleiturizar” a obra de um antecessor, acaba imprimindo uma força gravitacional tão grande a ponto de “empenar” temporalidades e deslocar percepções relativas a sua obra e a de seus predecessores.

15:30 às 16:00 – O tratamento vocal como componente composicional estrutural da ópera de câmara Medeia (2016), de Mario Ferraro
Mario Ferraro (CAP-UFRJ)

Para o tratamento vocal realizado na composição de minha terceira ópera de câmara, Medeia, busquei tratar o canto como componente essencial na caracterização dos personagens segundo a perspectiva de construir a forma final da partitura, como também os principais elementos psicológicos e dramáticos, cênicos e dramatúrgicos do espetáculo.

16:00 às 18:00 – Mesa Redonda Implicações da pesquisa musicológica para a pedagogia e a performance vocal
Maria Alice Volpe (UFRJ), moderadora

Debatedoras: Heliana Farah (UFRJ), Alberto Pacheco (UFRJ), Andrea Albuquerque Adour da Camara (UFRJ), Maria Yuka Almeida Prado (USP), Daniel Salgado da Luz (UFRJ), Victor Emmanuel Abalada (UERJ), Anita Posateri(Università di Bologna)
Escola de Música da UFRJ – Prédio III
Edifício Ventura* – Av. República do Chile, 330, Torre Leste – 21o. Andar
Centro – Rio de Janeiro – RJ
CEP 20031-370

* É necessário o comparecimento com pelo menos 20 minutos de antecedência do horário marcado, para retirada do crachá na portaria; para usar os elevadores, é preciso digitar o número 21 e apertar a tecla confirma; é vedada a entrada no edifício de visitantes trajando bermuda e/ou chinelos.

Escrito por Pauxy

Coordenador

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