9. Inserção Social

9.1 Inserção social e inovação

O PPGM-UFRJ empreendeu no Quadriênio anterior (2014-2017) a inserção de sua produção nos meios de comunicação, em ações bem sucedidas que perduram até hoje. No âmbito de suas estratégias de informação e comunicação visando à distribuição, e assim ao impacto social de sua produção cultural e artística, destacam-se os programas semanais na Rádios MEC-FM/EBC “Eletroacústicas” e “Concertos UFRJ”, este em parceria com o PROMUS. Transmitidos semanalmente em rede nacional e produzidos e apresentados pelos docentes permanentes do Programa Rodrigo Cicchelli e Aloysio Fagerlande, os dois programas contam já com mais de 150 edições ininterruptas cada um (52 e 40, respectivamente, apenas em 2019), com dezenas de estreias e difusão de obras brasileiras e estrangeiras, possibilitando portanto um considerável impacto social da produção acadêmica do Programa.

No campo da inovação social visando ao impacto ambiental e social da produção cultural e artística, bem como a promoção dos direitos humanos, das liberdades fundamentais, da diversidade cultural e em última análise da própria cidadania, o Programa atua em áreas de vulnerabilidade social da cidade do Rio de Janeiro através dos projetos “Som da Maré” e “Escola de Música de Manguinhos”, ou seja, em comunidades habitadas por cerca de 180 mil pessoas. Os projetos utilizam métodos colaborativos e participativos, qualificando a experiência cultural ao garantir um nível de autoria aos próprios moradores dessas comunidades, e contribuindo assim para a celebração da cultura local. Associado ao Projeto de Pesquisa “Som da Maré”, o Grupo de Pesquisa “Musicultura” vinculado ao Grupo de Pesquisa “Laboratório de Etnomusicologia” coordenado pelo professor Samuel Mello Araújo Júnior tem se destacado pelo impacto social de sua ação educadora, recebendo por isso justa e merecida atenção dos veículos da grande mídia.

9.2 Impacto artístico-cultural

9.2.1 Projeto “Musicultura”

Criado em 2003 pelo Laboratório de Etnomusicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGM-UFRJ) e o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), conta com a participação de moradores da comunidade da Maré (vizinha à Ilha do Fundão e assim da Reitoria da UFRJ), estudantes de ensino médio, professores e alunos da UFRJ, e com apoio do CNPq, FAPERJ, CENPES-PETROBRAS e da própria UFRJ. Entre os objetivos do projeto, está a formação de pesquisadores jovens vinculados às comunidades do entorno do campus Cidade Universitária da UFRJ e do bairro da Maré, com a realização de trabalho de campo para pesquisa in loco e documentação de práticas musicais que representem de algum modo as questões em debate pelo grupo. Através da autopesquisa e da produção de documentos sonoros e audiovisuais que apontam para questões como a regulação da vida pelo mercado, o drama da exclusão social e a banalização da vida cotidiana, busca contribuir para a formação de profissionais que possam modificar a forma como é exercida a profissão do artista, do pesquisador e do docente em música. Cerca de 100 estudantes e voluntários já passaram pelos grupo, cujo trabalho foi difundido através de eventos na Maré, com cerca de 15 artigos do grupo publicados em periódicos e livros acadêmicos no Brasil e no exterior, dezenas de trabalhos aceitos e expostos oralmente em eventos científicos da área de Música e afins (com alguma premiação em Jornadas de Iniciação Científica da UFRJ), e cerca de 7 trabalhos monográficos de conclusão de curso (Graduação e Pós-Graduação) com alguma referência ao trabalho coletivo aprovados. Foi contemplado com o “Diploma Heloneida Studart 2019” pela Comissão de Cultura da ALERJ, entregue aos representantes do projeto no dia 17 de junho. O diploma Heloneida Studart é um instrumento de reconhecimento e estímulo às boas práticas culturais promovido pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

9.2.2 “Festival da Diversidade: Arte, Cultura e Cidadania”

Promovido pelo Grupo de Pesquisa “Educação Musical, Musicalidade Abrangente e Diversidade Cultural”, reúne o trabalho artístico, cultural e de geração de renda da Rede de Atenção Psicossocial do município do Rio de Janeiro. Embora privilegie a temática da Saúde Mental, promove também a inclusão de ações com outros públicos em situação de vulnerabilidade social e de artistas do cenário carioca. No mesmo sentido, o Grupo de Choro “Sôdade Brasilis” perscruta influências musicais da Belle Époque (1870-1930) presentes nas práticas musicais urbanas contemporâneas. Através da colaboração dos mestres dos saberes populares, conhecidos como Velhos Chorões, o projeto promove intercâmbio artístico-cultural e fomenta a transmissão de conhecimentos na música brasileira. Soma-se, na Linha de Pesquisa, a ações de promoção do bem estar e integração à sociedade e de um ambiente de saúde inclusivo, fundamentado no conceito de “Musicalidade Abrangente”.

9.3 Interfaces com a educação básica

Dentre as iniciativas do PPGM-UFRJ contribuindo para melhorias no âmbito do ensino fundamental e médio da música no país, destaca-se o curso de extensão “Pedagogia da História da Música Brasileira para a Educação Básica”, com vínculo metodológico com Grupo de Pesquisa “Novas Musicologias”. O curso surgiu e está inserido no Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ, em sua décima edição em 2019, evento por sua vez que tem contribuído, ao longo dos anos, para o diálogo com o conhecimento do campo, notadamente através da participação de especialistas da área de diversos centros universitários internacionais em palestras, mesas redondas e anais do evento.