Africanias: a música vocal brasileira e ibero-americana

Projeto de pesquisa do Grupo de Pesquisa Africanias

Andrea Adour, docente responsável
Elizabeth Marques, mestranda

Idioma alternativo para processo seletivo (Doutorado): espanhol

Introdução

Este projeto busca documentar e estudar a história da música vocal no Brasil, nas Américas e na Península Ibérica a partir de um pensamento transcultural: a presença de africanias nos diferentes gêneros musicais. A presença africana foi espargida desde o século XV, período em que o modelo econômico adotado por algumas nações europeias utilizou mão de obra africana em sistema de escravidão. O termo Africania foi explicitado por Yeda Pessoa de Castro:

Designa o legado linguístico-cultural negroafricano … que se converteu em matrizes partícipes da construção de um novo sistema cultural e linguístico que, no Brasil, se identifica como brasileiro. (CASTRO, 2015: p, 01).

A ideia do termo africania começa a ser produzida nos anos 1930-40, quando o antropólogo Fernando Ortiz elabora a diferença entre o termo aculturação e transculturacão. Através de uma metáfora de um prato típico cubano (ajiaco), deixa claro que, para sua “receita”, faz-se não só a inclusão de ingredientes de diversas origens, mas, principalmente, o fato de que o prato, como o povo cubano, está em constante feitura numa panela, como a forma dinâmica do processo transcultural (ORTIZ, apud MYERS, 2002, p. 751). Ortiz cita a diferença entre aculturaçãoo e transculturação:

Entendemos que o vocábulo transculturação expressa melhor as diferentes fases do processo de transição de uma cultura para outra, porque este não consiste somente em adquirir uma cultura diferente, que é o que a rigor indica a voz anglo-saxônica acculturation, mas sim que o processo implica necessariamente a perda ou desenraizamento de uma cultura precedente, o que se poderia chamar de uma parcial desaculturação, e, além disso, significa a consequente criação de novos fenômenos culturais que poderiam denominar-se de neoculturação. Enfim, como bem sustenta a escola de Malinowski, em todo abraço de culturas sucede o mesmo que na cópula genética dos indivíduos: a criança sempre tem algo de ambos os progenitores, mas também sempre é diferente de cada um dos dois. Na sua totalidade, o processo é uma transculturação, e este vocábulo compreende todas as fases de sua parábola. (ORTIZ, 2002, p.260; apud MYERS, 2015, p.752).

Beltrán nos diz que o termo africania foi cunhado por Ortiz, o que foi verificado num fragmento de conferência publicado, onde o antropólogo cubano fala sobre a necessidade de criar um termo que expressasse a ideia de uma “cubanidade plena e consciente”, fazendo a diferenciação entre os termos cubanidad e cubanía (BELTRÁN, 2008, p. 416). Para isso, ele recorre ao poeta espanhol do início do século XX, Miguel de Unamuno, que discutiu e cunhou os termos hispanidad e hispanía. Essa sufixação (“-idad” e “-ía”) serve como ponto de partida para discutirmos a diferenciação dos termos africanidade e africania, e seus usos.

Além disso, temos também a contribuição de Lélia Gonzalez com o uso de um outro conceito, mas com conteúdo similar. A autora demonstra sua ideia a partir do termo “amefricanidades”, que se enraíza a partir de uma ideia de Bety Milan, desenvolvida por M. D. Magno em 1981 onde:

Trata-se de um olhar novo e criativo no enfoque da formação histórico-cultural do Brasil que, por razões de origem geográfica e sobretudo da ordem do inconsciente, não vem a ser o que geralmente se afirma: um país cujas formações do inconsciente são exclusivamente europeias, brancas. Ao contrário, ele é uma América Africana cuja latinidade, por inexistente, teve trocado o t pelo d para aí sim, ter o seu nome assumido com todas as letras: Améfrica Ladina. Nesse contexto, todos os brasileiros (e não apenas os “pretos” e os “pardos” do IBGE) são ladinoamefricanos. (GONZALES, 1988, p. 69).

Para além do seu caráter puramente geográfico, a categoria de amefricanidade incorpora todo um processo histórico de intensa dinâmica cultural (adaptação, resistência, reinterpretação e criação de novas formas) que é afrocentrada. (GONZALES, 1988, p. 76)

Diversos povos africanos provenientes de diferentes etnias, línguas e culturas, encontraram-se nas Américas e na Península Ibérica e entoaram seus cantos, construíram seus instrumentos, manifestando sua presença em sons no novo mundo. Desde o século XVI, há documentos e relatos que apontam o encantamento provocado por esta cultura nos relatos dos viajantes. O encontro entre tais saberes e a música de origem europeia e dos povos indígenas foi campo de interesse de  diversos compositores, em diferentes gêneros e estilos musicais, e possibilitou a composição de amplo repertório onde podemos perceber o eco da matriz africana. Entretanto, este repertório é muitas vezes mal compreendido em decorrência da dificuldade de compreensão do vocabulário e das tradições africanas que o cercam. Outro aspecto a ser considerado é o distanciamento das línguas faladas nas Américas de suas línguas matrizes, por exemplo, o português brasileiro do europeu. Além de diferenças de pronúncia, há muitas diferenças lexicais, sintáticas e fonêmicas. Na música vocal, soma-se um entendimento rítmico-prosódico bastante distinto.

John Greenberg (1963) classificou as línguas africanas identificando quatro troncos: Nigero-Congolês, Nilo-Saariano, Afro-Asiático e Coissan. As línguas do grupo banto pertencem ao tronco Nígero-Conglolês e ocupam praticamente toda a região da África ao sul do Equador (Figura 1):

Figura 1 –Mapa linguístico da África (FRANKE, 2014-2017, p. 36).

Para o Brasil, foram trazidos africanos escravizados falantes de línguas do tronco Nígero-congolês. Inicialmente, da área banto (Niger-Congo B) da África subsaariana, falantes de quimbundo, umbundo e quicongo, e posteriormente, já no século XIX, da área do golfo de Benin (Niger-Congo A), falantes de línguas como o ewefon e o yorubá.

 A palavra banto tem sido utilizada em diferentes contextos. O seu significado é bastante controverso; muitas vezes aparece com o sentido de ‘povo’, ‘etnia’, ou como ‘língua’. Wilhelm Heinrich Imanuel Bleek, linguista alemão, no século XIX, utilizou o termo para designar um conjunto de línguas encontradas ao sul da África, do tronco nigero-congolês, agrupadas pelo critério de inteligibilidade mútua, e que têm, por conseguinte, muitos elementos em comum.

Um dos problemas de pesquisa deste e de outros trabalhos que tratam de temas relacionados à África decorre justamente da generalidade que assumimos ao reportarmos os elementos e estruturas estudados a um continente tão amplo e com tantas culturas distintas. A mesma generalização acontece quando pensamos sobre a cultura latina. Ainda que os países tenham inúmeras diferenças, algo os une, de forma não específica, mas com elementos que estão aparentados. Esta união decorre, em primeiro lugar, da proximidade das línguas, em segundo, pela proximidade territorial e em terceiro, por dados sócio-históricos. A conjunção de um ou mais destes fatores aproxima as nações enquanto cultura. Desta forma, compreender o Brasil ao lado de países da América Latina e da península Ibérica pode ser mais interessante e frutífero. Da mesma maneira, quando tratamos de África, há autores que atestam pontos em comum entre as culturas banto e as culturas sudanesas:

Embora o sistema linguístico da civilização sudanesa seja diferente do da área bantu, algumas informações obtidas por sondagens nos permitiram verificar que as duas zonas se encontram em vários pontos do pensamento profundo. Este foco comum subsaariano é também a origem do parentesco existente entre os troncos linguísticos mais importantes. Todos apresentam caracteres comuns com os saarianos pré-históricos. Outros, ao contrário, julgam-nos semelhantes ao Egito antigo. (KAGAME, 1975, p. 102)

Essa aproximação reside, segundo diversos etnolinguistas, no fato de as culturas banto e sudanesas pertencerem ao mesmo tronco nigero-congolês, consequentemente, partilharem traços culturais comuns. Somado a isso, com o tráfico de africanos escravizados com fins a trabalhar nas colônias das Américas e na península Ibérica, os saberes das diferentes culturas e línguas africanas, em contato com as línguas e culturas europeias e indígenas, acabou criando outro sistema linguístico e cultural.

Possivelmente, por tal razão, os primeiros estudos sobre a presença africana no Brasil tenham visualizado uma maior importância do legado sudanês que do banto. Segundo Yeda Castro, desde o final do século XIX acreditava-se que havia a presença majoritária da cultura yoruba-nagô (do grupo sudanês), atestada por Nina Rodrigues na publicação Africanos no Brasil, e somente nos anos 1970 foram realizados os primeiros estudos sobre a importância e a presença da cultura banto no Brasil. O mapa abaixo (Figura 2), extraído do livro Falares Africanos na Bahia, de Yeda Pessoa de Castro, mostra a presença majoritária dos africanos banto no país.

FIGURA 2 –Mapa da presença africana no Brasil (CASTRO, 2005, p. 47).

Os séculos XVIII e XIX, na Europa, foram marcados por diversas lutas sociais, políticas e culturais em busca da constituição das nações, da sua unidade linguística, da sua simbologia cultural e de ideais civilizatórios. Durante esse período, muitas nações europeias redigiram suas primeiras constituições, embasados pelos ideais iluministas. Neste momento, surgiram diversas coletâneas de canções, que registraram antologias do cancioneiro popular, buscando alicerces nesta cultura para a construção da simbologia nacional.

O movimento modernista brasileiro muitas vezes (con)funde-se com esta procura de identidade nacional. O evento que de alguma forma sintetiza esta intenção é a Semana de Arte Moderna de 1922: artistas plásticos, poetas e músicos, instigados pelas vanguardas artísticas europeias, reuniram-se em São Paulo com o desejo de construir um pensamento moderno e artístico nacional. Do movimento, participaram Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, entre outros. Alguns desdobramentos da Semana de Arte Moderna de 1922 foram decisivos para o Modernismo e o Nacionalismo brasileiros: o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde e Amarelo e o Movimento Antropofágico. Em todos estes há um ponto em comum: a busca da constituição de um saber que traduzisse e caracterizasse a cultura do Brasil. O governo do estado de São Paulo, criou em 1935, a partir desta perspectiva, a Secretaria Municipal de Cultura, e Mario de Andrade inicia assim o grande projeto de realizar as Missões Folclóricas com o intuito de registrar o saber tradicional de nosso país, construindo um acervo que pudesse servir de fonte para os artistas e intelectuais de sua época. Em 1938, Mario de Andrade e sua equipe partiram do porto de Santos para percorrer o país. Neste ano, percorreram 28 cidades em 145 dias e coletaram muito material, que foi depois catalogado por Oneyda Alvarenga.

Dentre este material catalogado, é importante destacar a presença de um grande material de música vocal com palavras provenientes de diferentes línguas entoadas pelos descendentes de africanos que haviam sido escravizados e trazidos ao Brasil para o trabalho nas lavouras e na mineração. Por exemplo, segundo Yeda Pessoa de Castro, a presença banto no Brasil ecoa no vocabulário do português brasileiro, e aponta para o grande número de falantes de idiomas deste grupo linguístico em nosso país, de Norte à Sul. Mario de Andrade e seus seguidores, tais como Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, acabaram por registrar um material bastante rico, que atesta a presença banto no país.

Além do Brasil, outros povos das Américas, cuja presença africana foi também significativa, possuem variantes linguísticas e culturais tal como acontece aqui. Nos Estados Unidos, muitas palavras foram re-acomodadas e re-interpretadas, como nos mostra Vass, pesquisadora pioneira no estudo da cultura banto nos EUA. Possivelmente, por ter nascido no Congo e ser falante de línguas banto, percebeu que muitas alterações destas línguas foram feitas na transposição para o inglês. Na publicação The Bantu Speaking Heritage of the United States, cita algumas transcrições adaptadas pelos compiladores dos cantos editados em Slave Songs of the United States (ALLEN, 1995), como por exemplo: loba hebe por low ball high ball (VASS, 1979, p. 78)

A autora cita ainda o pastor batista Miles Mark Fisher que corrobora com seus estudos:

As palavras em inglês apresentam tanto erros de transmissão acidentais quanto intencionais. Às vezes os coletores eram desinformados a respeito dos negros, assim como eram os editores de Slave Songs of the United States […] Um coletor poderia estar exausto e com sono, e seu informante ser indiferente ou capcioso. Não era possível adotar nenhuma ortografia uniforme ou consistente quando os cantos eram coletados de negros com diferentes níveis culturais […] ‘muitos experimentos ortográficos’ foram realizados a fim de adequar o tom dos negros às palavras. Um coletor de cantos de escravos, antes da Guerra Civil, achava que os tons ricos, untuosos e guturais dos negros não poderiam ser escritos…[1] (o grifo é meu) (VASS, 1979: p. 70)

Tais adaptações podem ter ocorrido também em algumas expressões que para nós parecem interjeições e que muitas vezes são compreendidas como melismas musicais, tais como “hoo ah hoo!” (que Vass aproximou do verbo kuhuwa (‘estar quieto’, ‘em paz’, ‘em silêncio’) em sua forma imperativa huahu ou puapu.

O compilador e editor da publicação Slave Songs of the United States, William Allen, reforça em seu prefácio esta questão quanto às adaptações e transcrições incorporadas ao inglês, quando cita Higginson, que descreve o problema da transcrição do canto africano para o inglês: “as palavras serão apresentadas no dialeto original o tanto quanto possível. Caso a grafia seja às vezes inconsistente, ou os erros de grafia insuficientes, é porque não pude chegar mais próximo.[2] (ALLEN, 1995, p. XX. Tradução nossa)

A antropóloga Nina Freemann aponta também a importante contribuição africana na Colômbia, enquanto matriz, na formação cultural e linguística de seus países: “então o cabildo se converteu em um refúgio de africania e levou a um dos cenários iniciais para a gênese de um novo sistema cultural neste lado do mundo”.[3] (FRIEDEMANN, 1992, p.550. Tradução e grifo nosso). Luis Beltrán, cientista político espanhol, atribuí as africanias a um processo multicultural:

Essa escolha deve-se ao fato de que, embora a africania provenha indubitavelmente de África, é como um todo resultado de um processo multitranscultural, não apenas com relação às culturas europeias e ameríndias, mas também entre culturas africanas que se procede na América, sendo um dos três elementos constitutivos da ibero-americanidade e da identidade sociocultural de cada um desses países.[4] (BELTRAN, 2008, p, 416. Grifo e tradução nossa)

Também na península ibérica, a presença de africanias pode ser constatada como por exemplo a partir dos Villancicos Negros:

O termo “villancico” é usado para designar canções devocionais de natureza jocosa. De acordo com o Harvard Dictionary of Music, os Cancioneiros espanhóis foram preservados desde aproximadamente 1500 (Randel, 1999). Ao se aprofundar no tema do villancico, ele percebe sua origem regional, popular, que é utilizada para fins de conversão. Frei Hernando de Talavera, encarregado de evangelizar mouros e sefarditas na época de Isabel la Católica, como parte dos esforços da Igreja Católica para incorporar a população do Reino de Granada, iniciou o costume de ocupar materiais musicais e línguas das regiões de Aragão, Catalunha e Andaluzia, por algumas festividades do calendário litúrgico (Bermúdez, 1995; Tello, 1997; Lehnhoff, 1994). Da mesma forma, na evangelização da América hispânica, línguas indígenas, africanas e outras são usadas ao lado de elementos musicais característicos. Desta forma, surgem canções de natal com letras em português, tlascaltecas, náhuatl e africanas, entre outras; Eles são do tipo dramático e semidrama; identidades não hispânicas e sotaques distintos são usados ​​neles; além disso, um estilo musical apropriado é usado. É feita uma distinção entre as variantes do tipo de villlancico que destaca elementos negroides, os tipos Negro, da Guiné, Canário e Negrillo.[5] (SANDOVAL, 2009, p. 14. Grifo e tradução nossa)

A partir de todos estes aspectos, é interesse deste projeto pesquisar e documentar da música vocal no Brasil nas Américas e na península ibérica, buscando compreender suas características e variantes linguísticas e como tais variantes “interferem” nos processos musicais, do ponto de vista da composição rítmica, melódica e harmônica, sua relação prosódica e seus diferentes modelos de emissão, contribuindo para a história da música brasileira e ibero-americana.. Ao final do projeto, apresentamos em anexo um exemplo de estudo histórico-documental, com fins à construção de um vocabulário de africanias na música vocal brasileira e ibero-americana.

JUSTIFICATIVA

O patrimônio imaterial de origem africana foi uma das fontes de inspiração e uso dos compositores das academias e conservatórios nas Américas e na península Ibérica. Este projeto propõe o estudo da história e da documentação da música vocal brasileira e ibero-americana, visando perceber e documentar seus traços multiculturais, tanto do ponto de vista do encontro das diferentes línguas presentes neste repertório (africanas, indígenas e europeias), como os traços musicais herdados das matrizes africanas e que ecoam em tal repertório. Além disso é fundamental contribuir com este estudo historiográfico e documental para os interpretes e compositores que lidam com este acervo resultante destas culturas em contato. Tais estudos possibilitarão, por exemplo, a construção de um vocabulário para auxiliar os intérpretes, mapeando as composições de autores, modo a destacar suas africanias e indigenias. Este vocabulário expandiria o escopo de pesquisa e  possibilitaria um compartilhamento deste repertório com outros países.

OBJETIVOS

  • Documentar a matriz africana na música vocal do Brasil, das Américas e da Península Ibérica.
  • Contribuir com estudos historiográficos e documentais que visem auxiliar nas práticas interpretativas de instrumentistas e cantores da música brasileira e ibero-americana em que estão presentes africanias.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Elaborar e documentar um catálogo de obras vocais que contenham africanias.
  • Elaborar e documentar um vocabulário de africanias na música vocal brasileira e ibero-americana.
  • Construção de página da web com os resultados da pesquisa histórico-documental, já no ar: http://www.africanias.musica.ufrj.br

METODOLOGIA

Serão utilizadas múltiplas metodologias para a elaboração dos estudos históricos e documentais da música brasileira e ibero-americana a partir de suas africanias. Como iremos lidar tanto com povos com material escrito (textos e partituras), como também com povos sem língua escrita (tanto alfabética, quanto musical), será necessário o uso dos métodos advindos da história oral, compreendendo o testemunho enquanto fonte documental. Além disso, também serão incluídas metodologias para estudos de iconografia, fonografia, epístolas, bem como as metodologias de trasncrição utilizadas pela linguística, sempre em comparação com vocabulários e dicionários das diversas línguas presentes no acervo.

Para a documentação e escolha do corpus da pesquisa, serão selecionadas peças do repertório vocal brasileiro e ibero-americano a partir dos seguintes critérios:

  • Traços linguísticos (léxico africano e/ou modificação morfofonêmica e/ou morfossintática),
  • Traços discursivos (temática e/ou personagens que denotem a presença africana)
  • Traços musicais (ritmo e melodia atribuídos à presença africana)
  • Traços híbridos (mistura de traços linguísticos e melódicos através de brincadeiras com palavras ou vocalizações)

REFERÊNCIAS

ALLEN, William Francis; PICKARD, Charles Ware; GARRISSON, Lucy McKIM. Slave Songs of the United States: The Classic 1867 Anthology. New York: Dover, 1995.

BELTRÁN, Luis. Consideraciones sobre los estudios afroamericanos y africanos en iberoamérica. In: Los estudios afroamericanos y africanos en América Latina: herencia, presencia y visiones del outro. Buenos Aires. CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales Centro de Estudios Avanzados, Programa de Estudios Africanos: 2008.

CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Topbooks, 2005.

CASTRO, Yeda Pessoa de. Marcas de africanias no português brasileiro. Revista Africanias. Disponível em http://www.africaniasc.uneb.br/pdfs/n_1_2011/ac_01_castro.pdf. Acesso em 20/09/2015.

FRANKE, Richard W. Bantu Words in American English. 2014-2017. Disponível em http://msuweb.montclair.edu/~franker/week11Africa4words.pdf. Acesso em 05/02/2013.

FRIEDEMANN, Nina S. de. Huellas de africanía em Colombia. Nuevos escenarios de investigación. Centro virtual Cervantes, Thesaurus. Tomo XLVII. Num. 3, 1992.

GONZALES, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. In: Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, n. 92/93 (jan/jun): 1988.

KAGAME, Alexis. A percepção empírica do tempo e concepção da história no pensamento bantu. In: As culturas e o tempo: estudos reunidos pela UNESCO por Paul Ricoeur e outros. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1975.

MYERS, Jorge. Uma “Atlantic History” avant la lettre. Transculturações atlânticas e caribenhas em Fernando Ortiz. Sociologia & Antropologia. Rio de Janeiro, v. 05.03:745-770, dezembro 2015.

SANDOVAL, Gerardo E. Meza. Villancico de Negros, una ventana por donde se ve e integra al otro. Revista Comunicación. v. 18, año 30, n. 2, Agosto-Diciembre, 2009.

VASS, Winfred. K. The Bantu Speaking Heritage of the United States. Los Angeles: Center for Afro-American Studies – University of California, 1979.

[1] VASS. The Bantu Speaking Heritage of the United States, p. 70: “The English words show both accidental and intentional errors of transmissions. Sometimes collectors were uninformed about Negroes, as were the editors of Slave Songs of the United States […] A collector may have been sleepy and exhausted, and his informant carelass or deceptive. No uniform or consistent spelling would be possible when the songs weere heard from Negroes on diferent levels of culture […] In order to fit the tones of Negroes to words, ‘many orthograpical experiments’ were performed. A collector of slave songs vefore the Civil War found that the rich, unctuous and guttural tones of Negroes could not be written.” (tradução minha)

[2] ALLEN. Slave Songs of the United States: The Classic 1867 Anthology, p. xxi: “the words will be given as nearly as possible, in the original dialect; and if the spelling seems sometimes inconsistent, or the misspelling insufficient, it is because I could get no nearer”. (tradução minha)

[3] Entonces el cabildo se convertió en un refugio de africanía y tendió uno de los escenarios tempranos para la génisis de un nuevo sistema cultural en este lado del mundo.

[4] Esta elección se debe al hecho que aunque la africanía indudablemente procede de África, es todo el un resultado de um proceso multitransculturador – no sólo com relación a las culturas europeas y ameríndias sino también entre culturas africanas – que se prodece em América, siendo uno de los três elementos constitutivos de la iberoamericanidad y de la identidad sociocultural nacional de cada uno de estos países

[5] El término “villancico” se emplea para designar canciones devocionales de índole gozosa. En los Cancioneros españoles se conservan, según el diccionario Harvard de Música, desde aproximadamente el año 1500 (Randel, 1999). Al profundizar sobre el tema del villancico se da cuenta de su origen regional, popular, el cual es aprovechado con fines de conversión. Fray Hernando de Talavera, encargado de evangelizar moros y sefarditas en los tiempos de Isabel la Católica, como parte de los esfuerzos realizados por la Iglesia Católica para incorporar la población del Reino de Granada, inició la costumbre de ocupar materiales musicales y lenguas de las regiones de Aragón, Cataluña y Andalucía, para algunas festividades del calendario litúrgico (Bermúdez, 1995; Tello, 1997; Lehnhoff, 1994). De igual manera, en la evangelización de la América Hispánica se utilizan lenguas indígenas, africanas y de otras regiones al lado de elementos musicales característicos. De esta manera, se tienen villancicos con letras portuguesas, tlascaltecas, en náhuatl y africanas, entre otras; son de tipo dramático y semidramático; en ellos se utilizan identidades no hispánicas y acentos característicos; además se utiliza un estilo musical apropriado. Se distinguen entre las variantes del tipo de villancico que destaca elementos negroides, los tipos negro, guineo, canario y negrillo.