Ciclos harmônicos e a técnica do Carrossel na peça Variações para fagote e orquestra

Ciclos harmônicos e a técnica do Carrossel na peça Variações para fagote e orquestra 📄
Pauxy Gentil-Nunes

Resumo: No presente artigo é discutida uma prática de organização das alturas, chamada de Carrossel, utilizada na composição da peça Variações para fagote e orquestra, do presente autor. O Carrossel não pretende ser um procedimento absolutamente inovador, uma vez que é baseado no conceito de Ciclos Harmônicos, parte integrante da linguagem tonal no período da prática comum da música de concerto. Além disso, relaciona-se diretamente com o já difundido trabalho de planejamento harmônico por matrizes, proposto por Robert Morris em seu livro Composition with Pitch-Classes, vinculado à Teoria Pós-Tonal. Por outro lado, o Carrossel propõe algumas questões que são de interesse para uma linguagem pós-moderna e eclética – entre elas, a conciliação entre diferentes estéticas harmônicas (tonal, modal, serial) em um único sistema, com a preservação da unidade poiética (o que as técnicas escolares consagradas, como a harmonia tonal ou o serialismo, nem sempre permitem). Coloca também em relevância a articulação mais consciente do ritmo harmônico (entendido no sentido mais amplo, duracional) para a recepção e produção de novas obras. É discutida também a condução atonal de vozes baseada nos conceitos de portamento e ressonância, de Edmond Costère.

Palavras-chave: Ciclos harmônicos. Carrossel. Variações para fagote e orquestra. Composição. Análise Harmônica.