6. Integração com a Graduação

6.1 Indicadores de integração com a Graduação

A Escola de Música da UFRJ possui na Graduação em 2019 cerca de 462 alunos ativos, distribuídos em curso de Licenciatura e 26 cursos de Bacharelado: a) Instrumentos de orquestra (flauta, oboé, clarineta, saxofone, fagote, trompa, trompete, trombone, tuba, harpa, percussão, violino, viola, violoncelo e contrabaixo); b) Instrumentos de teclado e corda dedilhada (piano, órgão, cravo, violão, bandolim, cavaquinho); c) Canto; d) Composição, Regência Coral, Regência Orquestral, Regência de Banda.

Todos os docentes do Programa ministram disciplinas nos cursos de Graduação, com carga horária semanal média de 12 horas-aula. Por tal razão, as disciplinas de Graduação frequentemente refletem diretamente o conteúdo desenvolvido em Projetos de Pesquisa do PPGM-UFRJ, com material didático original e alunos trabalhando em espaços fora da sala de aula, nos encontros periódicos dos Grupos de Pesquisa (eventualmente com o uso de aplicativos digitais ou material didático desenvolvidos por grupo do Programa). Possibilitando sua integração com a Graduação, tal aproximação acaba por estimular o ingresso de participantes externos nos Grupos de Pesquisa.

Além das aulas em si, a integração do PPGM-UFRJ com a Graduação ocorre em oito modalidades: a) Atividades dos Grupos de Pesquisa; b) Disciplinas compartilhadas entre PPGM-UFRJ e Graduação; c) Iniciação Científica; d) Colóquios de Pesquisa; e) Projetos de Extensão; f) Estágios Docentes.

6.1.1 Grupos de Pesquisa

Os Grupos de Pesquisa do PPGM-UFRJ invariavelmente incluem alunos de Graduação em suas atividades. Isto leva não só a uma interação direta entre discentes de Graduação e Pós-Graduação, que trabalham lado a lado nas atividades de pesquisa, como também na qualificação dos alunos ingressantes no Mestrado, que já trazem em sua bagagem a experiência de publicações em anais de eventos ou até mesmo de artigos em periódicos, além de já estarem familiarizados com o referencial teórico dos projetos.

No momento o PPGM-UFRJ conta com os seguintes grupos em atividade: a) “Africanias”; b) “Cognição Musical em Processos Criativos (CMPC)”; c) “Educação Musical, Musicalidade Abrangente e Diversidade Cultural”; d) “Laboratório de Etnomusicologia”; e) “Música Brasileira em Perspectiva (MBP) – Práticas comuns dos séculos XVIII ao XX”; f) “Música, Educação Poética e Pensamento”; g) “MusMat”; h) “NEV – Núcleo de Estudos do Violão”; i) “Novas Musicologias”; j) “Oficina de Música Contemporânea”; k) “Performance Hoje”; l) “Polo Caravelas Brasil”; m) “Ritmo, Corpo e Som”.

6.1.2 Disciplinas compartilhadas

Todas as disciplinas optativas do PPGM-UFRJ são compartilhadas com alunos externos, em regime especial, e com alunos do curso de Graduação, em geral no final de curso e com participação em projetos de Iniciação Científica. Em 2019, foram oferecidas 35 disciplinas, cobrindo todas as Linhas de Pesquisa. Grande parte das disciplinas contam também com a participação de professores de outras unidades ou instituições, convidados para compartilhar pesquisas e trazer experiências de outros PPGs.

6.1.3 Iniciação Científica

O PPGM-UFRJ tem fomentado o desdobramento dos projetos de Grupos de Pesquisa de Pós-Graduação em projetos de Iniciação Científica na Graduação. A adesão ainda é minoritária, mas os resultados de alguns grupos, como “Africanias”, “Laboratório de Etnomusicologia”, “MusMat”, “Novas Musicologias” e “Polo Caravelas”, por exemplo, são expressivos, em termos de produção acadêmica, tanto bibliográfica (publicações, participação em Congressos) e em termos de produção de eventos (participação em cursos de extensão ou em eventos artísticos).

6.1.4 Colóquios de Pesquisa

O PPGM-UFRJ realiza anualmente o Colóquio de Pesquisa do PPGM-UFRJ, onde alunos, docentes e pesquisadores do Programa e de instituições externas compartilham progressos das pesquisas, contando também com a participação de docentes e discentes dos cursos de Graduação, com o intuito de fortalecer a integração entre os diversos segmentos da Unidade. Na edição de 2019, foram apresentadas 33 comunicações, entre alunos de Graduação e pesquisadores de outras instituições.

6.1.5 Projetos de Extensão

6.1.5.1 Quinteto Experimental de Sopros da UFRJ: O trabalho do Laboratório de Práticas Interpretativas junto à Graduação também traz oportunidades de integração, ao conectar Projetos de Extensão (como o Quinteto Experimental de Sopros da UFRJ) com pesquisas de interpretação de repertório brasileiro histórico, gerando resultados importantes para a formação dos alunos de Graduação, como por exemplo, o intercâmbio com a Escola de Karlsruhe, que propiciou a viagem e estadia de vários alunos e grupos no conservatório alemão, enriquecendo a pesquisa com registros gravados (CDs) e concertos. O Quinteto Experimental também promove concertos com obras de alunos de Graduação e do PPGM-UFRJ, proporcionando a integração artística entre os dois níveis.

6.1.5.2 Projeto “Compositores”: O projeto é uma iniciativa do Departamento de Composição em colaboração com o Laboratório de Música e Tecnologia que promove palestras de compositores consagrados, em nível nacional e internacional, com masterclasses para alunos de Graduação em Composição. No Quadriênio, o projeto teve os seguintes compositores convidados: Borislava Taneva (Bulgária), Marcos Mesquita (Brasil), Arthur Kampela (Brasil), Guilherme Bertissolo (UFBA), Tatiana Catanzaro (Brasil), Rael Toffolo (UNESP), Clarice Assad (Brasil/EUA), Bernardo Ramos (UFRJ), Mark Hagerty (EUA), Mario Adnet (Brasil), Edgardo José Rodriguez (Argentina) e Gregory Mertl (EUA, artista independente).

6.1.5.3 “Panorama da Música Brasileira Atual”: O evento é um dos mais importantes festivais de música contemporânea de concerto do país, criado em 1978 por Ricardo Tacuchian e promovido pelo Departamento de Composição da Escola de Música da UFRJ, com apoio do PPGM-UFRJ. O festival reúne alunos de Composição da Graduação, e de Práticas Interpretativas do PPGM-UFRJ, para a realização de concertos sinfônicos e de câmara, com chamada nacional, exclusivamente com estreias, e concomitante promoção de palestras e mesas redondas para discussão de assuntos ligados à composição, produção e realização de música de concerto contemporânea. Junto ao festival, é promovido o “Concurso Nacional de Composição Escola de Música da UFRJ”, com chamada nacional e comissão julgadora local, que premia obras orquestrais com prêmio em dinheiro e a execução das estreias no concerto sinfônico do Panorama da Música Brasileira Atual. Em sua vigésima nona edição em 2018, foram realizadas 72 estreias, além das três obras premiadas pelo Concurso Nacional de Composição.

6.1.5.4 “Coral Infantil da UFRJ” e “Coral Brasil Ensemble-UFRJ”: Projetos de Extensão com coordenação da professora Maria José Chevitarese de Souza Lima. Criado em 1989, o “Coral Infantil da UFRJ” é hoje um grupo consolidado, tendo já se apresentado junto às principais orquestras brasileiras, e contando já com mais de 500 apresentações em sua trajetória. Participa regularmente das montagens do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, no âmbito do projeto “A Escola vai à Ópera” da Escola de Música da UFRJ, atuou em diversas estreias mundiais de óperas infantis. O “Coral Infantil da UFRJ” participou também da abertura dos Jogos Olímpicos “Rio 2016”. Criado em 1999, o “Coral Brasil Ensemble-UFRJ” acumula uma história igualmente prolífica, tendo realizado já mais de 300 concertos em importantes espaços do Rio de Janeiro e região (Sala Cecília Meireles, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Igreja da Candelária, Teatro Municipal de Petrópolis, Teatro Municipal do Espírito Santo em Vitória, Conservatório de Tatuí etc.). Atua regularmente em representações operísticas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e no âmbito do projeto “A Escola vai à Ópera”, com uma discografia abrangendo repertório dos séculos XVIII ao XXI (Pe. José Mauricio Nunes Garcia a Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e compositores contemporâneos). No âmbito da proposta a divulgação da música brasileira contemporânea, grupo participou das XVII, XVIII, XIX e XXI Bienais de Música Brasileira Contemporânea. Dialogando com a Linha de Pesquisa “Práticas Interpretativas e seus Processos Reflexivos”, o “Coral Infantil da UFRJ” e “Coral Brasil Ensemble-UFRJ” promovem a integração de alunos dos cursos de extensão, da Graduação e Pós-Graduação da Escola de Música da UFRJ.

6.1.5.5 “Concertos didáticos do Conjunto de Sax da UFRJ” e “Jornadas de Músicas Mistas da UFRJ”: Projetos de Extensão com coordenação do professor Pedro Bittencourt. O primeiro abrange apresentações do “Conjunto de Sax da UFRJ”, integrado por estudantes do curso de Bacharelado em Saxofone da Escola de Música da UFRJ, egressos e convidados, voltadas para um público-alvo composto por crianças e jovens da rede pública de ensino e pelo público em geral. O formato de “concertos didáticos” decorre portanto da necessidade de democratizar o acesso deste público ao repertório enfocado pelo conjunto: a música brasileira contemporânea (escrita por compositores vivos e atuantes) em toda a variedade de estilos do saxofone (erudito e popular, do choro ao jazz e o frevo), em formações de 2 a 12 instrumentos. As “Jornadas de Músicas Mistas da UFRJ”, por sua vez, propõe a realização de eventos públicos e gratuitos agrupando atividades artísticas, culturais e acadêmicas em torno das músicas mistas, ou seja daquelas que conjugam instrumentos musicais tradicionais a meios eletrônicos e informáticos. Realizadas desde 2015 na Escola de Música da UFRJ, com atividades como palestras, mesas-redondas, concertos, publicações, as “Jornadas” tem como público alvo de alunos de Graduação e Pós-Graduação ao público em geral (chegará à sua quarta edição em 2020).

6.1.5.6 “Bloco Musical – Lira da Minerva”: A Escola de Samba, coordenada pela professora Sara Cohen, oferece oficinas nas quais os participantes aprendem a tocar os instrumentos mais presentes nas baterias de escola de samba: surdo, caixa, repique, tamborim e chocalho. As apresentações, por ocasião do Carnaval do Rio de Janeiro, se dão na forma de “concentra mas não sai”, seguindo a tradição de alguns blocos que não se deslocam pelas ruas, e acontece em frente às dependências da Escola de Música da UFRJ no bairro carioca da Lapa. São beneficiários da ação de extensão os interessados em participar de uma atividade artística cultural que envolve a performance de instrumentos de percussão de uma bateria de escola de samba, o conhecimento sobre a história dos instrumentos e os bastidores da organização de uma bateria de escola de samba, envolvendo a escolha e criação de samba enredo, a elaboração e o ensaio de bossas de bateria e as levadas de tamborim.

6.1.5.7 Projeto “Altri Canti”: Coordenado pelo professor Alberto José Vieira Pacheco, o “Altri Canti” é um grupo musical que pretende interpretar em especial o repertório vocal solista anterior ao romantismo de forma historicamente orientada, fazendo uso, sempre que possível, de instrumentos de época. Participam do “Altri Canti” professores e técnicos especializados na área, alunos de Graduação e Pós-Graduação, e ainda músicos da comunidade em geral. Sendo composto também por pesquisadores bastante ativos na área, o “Altri Canti” dialoga com a pesquisa mais recente no campo da performance historicamente orientada. Além do repertório clássico da música europeia anterior ao século XIX, o grupo apresenta, sempre na forma de concertos comentados, o repertório brasileiro do período colonial.

6.1.5.8 Projeto “Escola de Música de Manguinhos”: Com um forte impacto social, o projeto é coordenado pelo professor João Miguel Bellard Freire, utilizando métodos colaborativos e participativos, qualificando a experiência cultural ao garantir um nível de autoria aos próprios moradores dessas comunidades, e contribuindo assim para a celebração da cultura local.

6.1.5.9 Projeto “Educação Musical na Diversidade”: Coordenado pela professora Thelma Sydenstricker Alvares, o projeto propõe uma visão integrada do conceito de saúde, que envolve no mesmo nível a educação, a arte e a inclusão social. O projeto tem convênio também com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), aonde desenvolve-se pesquisa sobre o impacto de aulas de música no desenvolvimento de crianças com deficiências auditivas severas. O projeto envolve alunos, docentes e pesquisadores das instituições participantes e permite o constante fluxo de experiências entre diferentes Unidades da UFRJ.

6.1.5.10 “Festival de Arte e Cultura da Diversidade”: Coordenado pela professora Thelma Sydenstricker Alvares, o evento é realizado periodicamente em parceria com o Instituto de Psiquiatria da UFRJ, reunindo importantes temas como Autonomia, Direitos, Cultura e Acessibilidade em rodas de conversa, exposições, apresentações e oficinas em prol do movimento cultural da diversidade. O projeto contribui para o aprimoramento do trabalho de ensino e pesquisa em curso na Escola de Música da UFRJ, no curso de Licenciatura em Música e na disciplina obrigatória “Metodologia do Ensino da Música III”, dedicada à Educação Musical de grupos em vulnerabilidade e risco social, e dialoga com a Linha de Pesquisa “Música, Educação e Diversidade” do PPGM-UFRJ através do desenvolvimento de pesquisas nos cursos de Mestrado Doutorado.

6.1.5.11 “Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ”, “Série de Música Latino-Americana” e curso “Pedagogia da História da Música Brasileira para a Educação Básica”: Coordenados pela professora Maria Alice Volpe, os eventos reúnem pesquisadores em âmbito nacional e internacional para palestras, possibilitando contato e integração de alunos de Graduação com pressupostos e temas da pesquisa em Musicologia Histórica. Em função de seu âmbito de alcance, os projetos possibilitam a integração de alunos de Graduação e Pós-Graduação em atividades refletindo o estado atual da pesquisa musicológica em nível internacional.

6.1.5.12 “Semana do Cravo”: O longevo evento, oferecido sem interrupções desde o ano de 2003, tem reunido ao longo de sua história pesquisadores do repertório e interpretação do instrumento em âmbito nacional e internacional, com mesas redondas, concertos e, mais recentemente, publicação de anais com artigos completos. Coordenado pelo professor Marcelo Moraes Rego Fagerlande, inclui sempre recitais com alunos do curso de Graduação em Cravo.

6.2 Estágio de docência

O PPGM-UFRJ tem como disciplina obrigatória, nos cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado, o “Estágio Docente Supervisionado”, realizada em módulo único, cuja conclusão confere dois créditos ou seu equivalente em termos de carga horária, 30 horas. A ementa prevê o acompanhamento das aulas do professor orientador na Graduação, e a regência de turma pelo aluno de 25% (no caso de Mestrado) ou 75% (no caso do Doutorado) das aulas no semestre, com supervisão do orientador e retorno da turma com relação ao desempenho e às qualidades das aulas.

A partir do segundo período do seu curso o discente está habilitado a se inscrever na disciplina, tendo seu orientador como professor responsável. Após a divulgação do quadro de disciplinas de Graduação da Escola para o período letivo seguinte, o discente combina com o orientador a definição da disciplina mais próxima de seu trabalho de pesquisa, cabendo ao orientador ou à coordenação do Programa formalizar o pedido ao professor da disciplina do curso de Graduação . Ao término do semestre o orientador encaminha um relatório das atividades do discente, onde detalha seu envolvimento e seus resultados.

O contato direto com alunos de Graduação desafia os discentes pós-graduandos a refletir sobre questões artísticas e acadêmicas problematizadas pelos graduandos. O “Estágio Docente Supervisionado” tem despertado, muitas vezes, o interesse dos pós-graduandos pela prática da docência, levando à participação em processos de seleção em instituições de ensino superior.