Música, interesse público e justiça social

Projeto de pesquisa do grupo Laboratório de Etnomusicologia
Samuel Araujo, docente responsável
José Alberto Salgado, docente
Frederico Barros, docente
Artur Lopes, doutorando
Lino Amorim, doutorando
Virginia Barbosa, doutoranda
Moana Martins, mestranda

Idioma para processo seletivo (Doutorado)
espanhol ou francês

O projeto busca articular e debater criticamente, com vistas à publicação de livro, pensamento e ação produzidos durante e em torno de eventos musicais ou, de modo mais abrangente, sonoros, os tomando como parte significativa, embora relativamente autônoma, dos debates e embates sobre o que constitui interesse público e justiça social em determinadas configurações sócio-históricas. Ele deriva de projeto anterior, e começou a germinar, em boa medida, a partir da experiência de um seminário sobre Música e Justiça Social ministrado durante o primeiro semestre de 2014 a convite do Departamento de Música da Universidade de Chicago, e replicado com ligeiras alterações, já no segundo semestre do mesmo ano, como tópico especial ministrado conjuntamente para estudantes dos Programas de Pós-Graduação em Música da UFRJ e da UNIRIO. Durante a preparação para os referidos cursos, levantou-se uma extensa listagem de fontes de pesquisa, compreendendo desde referências bibliográficas e audiovisuais a documentos de gestão pública sobre o assunto, cobrindo uma gama multifacetada de práxis sonoras diversas em termos de tempo e espaço.

JUSTIFICATIVA

As inúmeras interlocuções no âmbito da etnomusicologia e campos afins ocorridas em planos nacional e internacional entre 2014 e o presente tão somente reforçaram a percepção do proponente acerca do quão oportuna se faz a produção de uma reflexão em livro sobre as inter-relações entre diferentes concepções de música,interesse público e justiça social, sobre baseada:

1- na continuidade da pesquisa etnográfica de cunho participativo que está à raiz da contribuição da linha de investigação adotada pela equipe de pesquisa com foco na Maré; e

2- em perspectiva crítica que confronte seus resultados com os demais trabalhos desenvolvidos no âmbito do Laboratório de Etnomusicologia (temáticas como intolerância religiosa, lutas identitárias de indígenas e negros, gênero em escolas da rede pública, carnaval e ocupação do espaço público) e com fontes levantadas em âmbito e escala que permitam transcender-se estudos de caso e colocar em questão princípios teórico-metodológicos de pertinência à temática.

A produção recente no campo da assim chamada etnomusicologia aplicada a questões como política, políticas públicas, bem-estar, equilíbrio ecológico (ver RICE, 2014; TITON e PETTAN, 2015) ou abordagens críticas do ensino superior de música (ARAUJO e SALGADO E SILVA 2011; MOORE, 2017) vem ressaltando as injunções sociopolíticas sobre a atividade musical e as paisagens sonoras em tempos de crescente reforço à primazia do mercado sobre o bem-estar-social e consequente confusão entre os âmbitos públicos e privados na vida social. Para ater-nos tão somente ao campo da etnomusicologia, percebe-se claramente tal ênfase na atividade recente das principais sociedades de âmbito local ou internacional como a Associação Brasileira de Etnomusicologia, a Sociedade Ibérica de Etnomusicologia, a Society for Ethnomusicology sediada nos EUA e o International Council for Traditional Music. As duas últimas, respectivamente a maior em número de associados e a maior em abrangência internacional, tomaram o tópico Reengaging Ethnomusicological Praxis, como tópico de seu primeiro fórum conjunto em mais de meio século de existência, em Limerick, Irlanda, no ano de 2015, cuja proposta formal teve seu primeiro rascunho escrito pelo autor do presente projeto. Em 2015, publicou-se também, em número especial do periódico World of Music (LUHNING e DE TUGNY, orgs., 2015), uma primeira versão, em inglês, de uma significativa coletânea da etnomusicologia produzida mais recentemente no Brasil, evidenciando o compromisso desse campo acadêmico com questões de interesse público visando à promoção de justiça social. A mesma coletânea, agora em língua portuguesa, veio a ser publicada no Brasil em 2017 pela Editora da UFBA (com a adição de um prefácio do autor do presente projetode estudos da etnomusicologia) demonstrando o enraizamento de tais preocupações na preocupação do campo tal e qual constituído nos principais núcleos de pesquisa em universidades do país. Tais esforços de mapeamento dessa produção, em que pese conterem introduções que buscam analisar as inter-relações entre as distintas contribuições, ainda carecem de um esforço de síntese mais intenso e de confronto mais exaustivo com literatura de abrangência internacional, razão de ser da presente proposta.

BASES TEÓRICO-METODOLÓGICAS

A pesquisa terá como referências os debates em torno das ideias chave, em relação às quais buscará se posicionar criticamente à luz da pesquisa etnográfica de cunho participativo a se realizar na Maré durante o período em questão, ressaltando-se aqui os aportes teórico-metodológicos discutidos no trabalho do proponente e da equipe de pesquisa pelo mesmo coordenada (ver, em especial, ARAUJO 2008, 2009, 2011, 2013, 2014; no prelo(a), no prelo(b); ARAUJO e GRUPO MUSICULTURA 2006a, 2006b, 2010, 2015; ARAUJO e CAMBRIA 2013; DUQUE 2007; ANDRADE SILVA 2009; DIAS DA SILVA 2011). Uma preocupação inicial concerne à própria noção de justiça social, cuja compreensão pode suscitar enunciados diversos conforme as relações público-privadas, filosofias políticas e contextos sócio-históricos pertinentes (ver, por exemplo, SHEPARD 1992, YOUNG 1999; FRASER 2002, WANG 2009), em alguns casos sendo evidentes o papel da música ou seus correlatos em outras línguas e culturas enquanto instrumento de reafirmação de ideais de vida em sociedade, mediações possíveis entre o que se entenda como público, privado, justiça social ou cidadania (WANG 2009; OCHOA 2014). Essa recensão crítica servirá como balizadora de um exame detalhado da crescente produção que vem ocupando a etnomusicologia a partir da década de 1980 (ver TITON 1982; LONDOÑO FERNANDEZ 1991, 2000), e que se acentua ainda mais no século atual (tão somente para recensões críticas desse movimento, PETTAN 2008, HARRISON e PETTAN 2010; HARRISON 2012, 2014; DIRKSEN 2012; RICE 2014; TITON e PETTAN 2015; LUHNING e DE TUGNY 2017), acerca do comprometimento do campo com o interesse público e com a justiça social, aí incluído o das interlocutoras e interlocutores da pesquisa acadêmica de base etnográfica e também colocando em questão os novos focos, abordagens e marcos institucionais que caracterizam as diversas contribuições surgidas em abrangência internacional (ver, por exemplo, ELLIS 1994; IMPEY, 2002; OCHOA 2002; HEMETEK 2006; TAN 2008; NEWSOME 2008; HOFMAN, 2010; O ́CONNEL e CASTELO BRANCO 2010; KARTOMI 2010; SARDO 2011, 2012, no prelo; SHELEMAY 2014; TITON 2015).

OBJETIVOS

Geral

Mapear e refletir criticamente sobre as inter-relações entre música, interesse público e justiça social em distintas formações sócio-históricas, tendo como eixos analíticos a pesquisa de campo em situações de conflito e desigualdades, assim como as abordagens teórico-metodológicas da temática em questão presentes em amostra exaustiva da literatura internacional.

Específicos:

1. Mapear e compreender os as inter-relações entre música, formas de sociabilidade e construção da cidadania na Maré, Rio de Janeiro;

2. Mapear e sistematizar criticamente conceituações e categorias pertinentes às inter-relações entre música, interesse público e justiça social em distintos contextos sócio-históricos, a partir de produção acadêmica multidisciplinar;

3. Formar e, quando pertinente, consolidar a formação de pesquisadores comunitários entre moradores da Maré, formando núcleos de atuação reconhecidos no âmbito de seu território e de suas instituições, abrindo assim perspectivas de continuidade de modo auto-sustentável (por exemplo, formando periodicamente novos pesquisadores);

4. Contribuição crítica à construção e aperfeiçoamento de recursos de referência e difusão das reflexões produzidas, como estruturação de acervos e difusão crítica de vídeos, audições comentadas de fonogramas e apresentações musicais, em contexto de debates sobre sua produção e significados;
5. Elaboração de papers relacionados à temática do projeto para apresentação em congressos e simpósios acadêmicos, culminando na produção de um livro sobre a temática do projeto, sintetizando o resultado da pesquisa como um todo.

METAS E RESULTADOS ESPERADOS

Pode-se apontar como metas e resultados esperados:

a) produção de documentação constituída a partir dos resultados da pesquisa de campo em diferentes contextos realizada pela equipe da Maré, dando destaque àqueles que coloquem em relevo questões de interesse público e justiça social;

b) mapeamento e problematização literatura que tematize a produção de indicadores sobre o impacto de políticas e outras iniciativas concernentes à música no que tange ao interesse público e a justiça social (ver, por exemplo, BAKER 2014; ARAUJO 2016);

c) produção de textos isolados com os resultados de estágios parciais da pesquisa, a serem apresentados em congressos e simpósios acadêmicos de música, antropologia e áreas afins, com vistas à configuração posterior de capítulos do livro;

d) elaboração de um livro para publicação;

e) organização de recursos de pesquisa (som, imagem e textos) em repositórios de acesso público;

ABORDAGEM

O projeto passará pelas etapas abaixo descritas:

a) Revisão e fichamento bibliográficos, para discussões com as equipes brasileira e portuguesa, compreendendo basicamente as seguintes temáticas:

1- abordagens de pesquisa que tratem dos conceitos-chave da proposta, bem como, quando pertinente, de sua inter-relação.
2- Etnografias que tomem a música e o som em sua inter-relação com concepções de interesse público e justiça social musical, mormente aquelas que tratem de contextos atravessados por desigualdades sociais e formas de sociabilidade violência;
3- estudos em geral, etnomusicológicos e afins, que abordem e desenvolvam discussões sobre as temáticas relacionadas ao projeto, como práticas sonoras, interesse público, justiça social, política, políticas públicas;

b) Trabalho de campo: reuniões de trabalho com a equipe da Maré, estabelecimento de contatos, realização de registros em áudio e audiovisuais de performances, paisagens sonoro-musicais e entrevistas, organização de acervos fonográfico, audiovisual e iconográfico pertinentes ao projeto. A estratégia de produção desses dados envolverá basicamente:

1- observação participante, i.e., interação sistemática com indivíduos, grupos, organizações, gestores e comunidades em contextos diversos,
2- pesquisa em acervos pessoais e públicos (por exemplo, Museu da
Maré e Rede Memória)
3- entrevistas registradas em áudio e vídeo com moradores, agentes
culturais e músicos dos territórios envolvidos, bem como com atores-
chave das instâncias públicas envolvidas.

c) Elaboração de papers e de um livro.
d) Síntese e reordenação do relatório final.

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