Os Poemas Sinfônicos de Leopoldo Miguéz

Os Poemas Sinfônicos de Leopoldo Miguéz  📄
Desirée Mayr

Resumo: O artigo propõe-se a descrever e contextualizar os poemas sinfônicos de Leopoldo Miguéz (1850-1902). Miguéz foi grande admirador de Wagner, que proclamava a morte da sinfonia depois do final coral da Nona de Beethoven, e defendia sua continuidade na estética do drama musical; foi também admirador de Liszt, que desenvolveu o poema sinfônico nos anos em torno de 1850. Nada mais natural que Miguéz viesse a adotar aspectos de estilo da chamada “Nova Escola Alemã”. São três os seus poemas sinfônicos para grande orquestra: Parisina op. 15 (1888) – baseado num poema de Byron, Avè, Libertas! op. 18 (1890) –em comemoração à Proclamação da República, e Prométhée op. 21 (1891) – sobre o mito clássico do Prometeu acorrentado, editados pela J. Rieter & Biedermann de Leipzig. Procuraremos expor quão notáveis foram seu domínio da orquestração e profundo conhecimento das técnicas musicais relacionadas ao gênero, por um lado, e como o compositor se valeu da natureza programática do poema sinfônico – que oferecia a possibilidade da evocação de temas literários, personagens míticos ou heroicos, e ainda do elogio público de pessoas e ideias – para envolvimento e conquista do público carioca.

Palavras-chave: Leopoldo Miguéz. Poema sinfônico. Música brasileira do século XIX. Música orquestral