1. Histórico e Contextualização do Programa

1.1 A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, antiga Universidade do Brasil), a mais longeva universidade do país, relaciona-se com a própria instituição da Pós-Graduação no Brasil. No início da década de 1960, duas iniciativas pioneiras marcaram o início do desenvolvimento da pesquisa acadêmica formal, nas áreas das Ciências Físicas e Biológicas (fruto de convênio com a Fundação Ford) e da Engenharia (com a criação do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia – COPPE). Desde então, a instituição tem valorizado e incentivado as atividades de Pós-Graduação, tendo se tornado referência para a atividade de pesquisa em nível nacional e internacional. Desta forma, o reconhecimento da importância da pesquisa no processo de produção de conhecimento voltado para a sociedade e para o desenvolvimento do país tem predominado no direcionamento da instituição, a qualidade da Pós-Graduação na UFRJ marca presente em todas as áreas do conhecimento. A Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) da universidade, responsável por este conjunto de ações em parceria com seus Programas e Grupos de Pesquisa, vem obtendo resultados significativos, nos últimos anos, com respeito à ampliação da abrangência da Pós-Graduação, tendo recentemente chegado ao total de 132 Programas, distribuídos nas mais diversas áreas.

1.2 Histórico do PPGM-UFRJ

Fundado em 1980 como o primeiro Programa de Pós-Graduação em Música do país, em resposta ao anseio do Centro de Letras e Artes da UFRJ pelo desenvolvimento da pesquisa e reflexão na área, o Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Música da UFRJ acumula uma história de relevantes serviços prestados à pesquisa musical no Brasil. Seu pioneirismo e sua centralidade geográfica fizeram o Programa converter-se, ao longo de suas quatro décadas, completadas em 2020, em um importante centro de formação de pesquisadores. Sua relativamente longa história pode ser dividida em três fases de desenvolvimento.

1.2.1 Primeira fase: 1980 a 1999

A primeira e mais estendida etapa de desenvolvimento do PPGM-UFRJ estende-se da fundação do Programa até o final da década de 1990, período em que a estrutura do Programa refletiu, em larga medida, a estrutura acadêmica dos cursos de Graduação da Escola de Música da UFRJ, mais antiga instituição de ensino da música no Brasil e assim herdeira direta do Imperial Conservatório e do Instituto Nacional de Música do período republicano. Tal espelhamento explicava-se então pelas demandas do corpo docente do PPGM-UFRJ, e condicionava-se tanto pela tradição centenária da unidade como escola de prática instrumental e composição quanto pela incipiência, naquele momento, da pesquisa acadêmica em Música no país, fato que, malgrado o compromisso dos fundadores e primeiros professores do Programa com os princípios de excelência artística e acadêmica, marcava a ação daqueles pioneiros.

As limitações decorrentes fizeram assim com que a ênfase se voltasse para a produção artística e para a pesquisa relacionada (quase) exclusivamente aos objetos dessa produção, em abordagens musicológicas ainda pouco impactadas pelas renovações na disciplina no período. A produção relacionada à composição musical mostrava-se predominantemente associada a práticas analíticas “tradicionais”, e os trabalhos desenvolvidos em práticas interpretativas revelavam em geral um tratamento histórico-musicológico dos objetos, não raro em perspectiva quantitativa. Sobretudo nas dissertações “históricas” da década de 1980, observa-se que as orientações metodológicas daqueles que iniciavam na UFRJ uma pesquisa musical recém-institucionalizada como Pós-Graduação denotavam acentuada preocupação com a “cientificidade” de seus resultados.

Nesta fase inicial, todavia, não está presente um sentido estrito de verticalidade temática e conceitual nas pesquisas desenvolvidas, havendo ao contrário grande diversidade de objetos e metodologias, mas sem que se verificasse a clara vinculação entre os trabalhos desenvolvidos pelos alunos e as pesquisas conduzidas pelos próprios orientadores. Neste contexto, e no período indicado, foram concluídas e defendidas 172 Dissertações de Mestrado no PPGM-UFRJ, nas Áreas de Concentração “Composição” e “Práticas Interpretativas”.

1.2.2 Segunda fase: 1999 a 2012

A segunda fase da história do PPGM-UFRJ inicia-se com a criação da Área de Concentração “Musicologia” e a abertura de um processo de reestruturação do seu regulamento, do seu corpo docente e de suas práticas acadêmicas visando a uma gradual adequação do Programa às novas orientações da Pós-Graduação na área. Por ocasião da Avaliação Trienal de 2007, contudo, a Comissão Deliberativa do PPGM-UFRJ entendeu que a relação de coerência entre Áreas de Concentração, Linhas de Pesquisa, projetos e disciplinas não apresentava ainda a consistência desejável, para o bom desenvolvimento das atividades do Programa. Visando ao aperfeiçoamento do Programa no triênio seguinte (2007-2009), o PPGM-UFRJ investiu em uma reforma mais radical, com vistas à finalização do projeto de verticalização de sua produção. A partir de uma análise da estrutura e dos efeitos da reforma do Ensino de 1999, realizou-se uma confluência de formação de corpo docente, vocação acadêmica do Programa e indicadores de produtividade, visando à conversão de uma produção ainda heterogênea e pouco interativa em Linhas de Pesquisa claras e mais produtivas, que passaram então a organizar-se em três grandes Áreas de Concentração: “Processos Criativos”, “Musicologia” e “Educação Musical”.

Com foco no ato criativo em si, entendido não só como produção de discurso ou estruturas, mas também de técnicas e ações, a Área de Concentração “Processos Criativos” organiza-se então para contemplar tanto o estudo de técnicas e poéticas discursivas e/ou textuais (Linha de Pesquisa “Poéticas da Criação Musical”), quanto o estudo de práticas de interpretação e performance (Linha de Pesquisa “Práticas Interpretativas e seus Processos Reflexivos”).

Igualmente dividida em duas grandes linhas é a Área de Concentração “Musicologia”. Com fundamentação nos estudos etnomusicológicos e concentrando-se na interação direta com práticas musicais regionais e urbanas em perspectiva de pesquisa e atuação participativa, a Linha de Pesquisa “Etnografia das Práticas Musicais” traz para o contexto do PPGM-UFRJ o contato com saberes externos ao meio acadêmico, apresentando em geral maior concisão temática. A Linha de Pesquisa “História e Documentação da Música Brasileira e Ibero-Americana”, por outro lado, volta-se ao estudo dos patrimônios materiais e imateriais contemplados no âmbito da delimitação geográfica proposta, gerando conhecimento musicológico em perspectiva histórica e transnacional (ainda que a ênfase da produção intelectual de seu corpo de docentes permanentes recaia sobre a própria cultura brasileira).

Como a mais recente Área de Concentração do Programa, consolidada entre 2009 e 2011, “Educação Musical” volta-se para ações e práticas musicais e pedagógicas ligadas ao desenvolvimento e bem estar integrado do indivíduo, apresentando-se em Linha de Pesquisa única. A Linha de Pesquisa “Música, Educação e Diversidade” abrange portanto os processos de ensino e aprendizagem em diferentes contextos sociais, formais e informais, e ainda a educação especial, questões de saúde mental e processos de inclusão, com espaços de investigação em geral externos à unidade acadêmica, como comunidades, hospitais, centros de tratamento e reabilitação.

Na etapa de desenvolvimento do PPGM-UFRJ que estende-se de 1999 a 2012, finalmente, deu-se início à realização do Colóquio de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Música, que chegou em 2019 à sua décima oitava edição, tornando-se assim o mais longevo e regular evento científico da UFRJ na área de Música, e fórum de âmbito nacional para a divulgação da produção de discentes, docentes e egressos do Programa.

1.2.3 Terceira fase: 2013 ao presente

Os esforços da etapa anterior fizeram com que o Programa recuperasse, na Avaliação Trienal de 2013, o conceito CAPES “4” (já alcançado na Trienal de 2007, mas perdido naquela de 2010). No período que inicia-se então, o PPGM-UFRJ pôde voltar-se ao aperfeiçoamento de três importantes aspectos do ensino em nível de Pós-Gradução: maior definição e estruturação física de suas Linhas de Pesquisa; adequação do número de Projetos de Pesquisa ativos e vinculados ao Programa, com distinção clara entre Pesquisa, Desenvolvimento e Extensão; e fomento à formação de Grupos de Pesquisa no âmbito do Programa. Inextricavelmente relacionada aos desenvolvimentos do período está a transferência de sua sede das instalações do conjunto histórico da Escola de Música na Rua do Passeio para suas novas instalações no (assim chamado) “Edifício Ventura”, uma das edificações mais modernas da América Latina.

Com a transferência, realizada em 2015, o PPGM-UFRJ experimentou uma expansão significativa de suas atividades de ensino e pesquisa: todas as Linhas de Pesquisa do Programa puderam neste ponto estruturar laboratórios próprios, com mobiliário e equipamento especializado para suas funções e demandas específicas, e o Programa passou a contar com salas exclusivas para suas disciplinas e atividades extra-curriculares. À reestruturação física corresponderam, portanto, esforços no sentido de equilibrar a produção docente do Programa através dos diversos Projetos e Linhas de Pesquisa do Programa (conforme ênfase avaliativa da época) e no sentido de promover a implantação do curso de Doutorado em Música no PPGM-UFRJ a partir de parecer favorável da Coordenação de Área da CAPES de fevereiro de 2015.

O curso de Doutorado, iniciado em agosto de 2015, com vinte alunos e oferta de disciplinas compartilhadas com professores de outras IFEs, tem tido uma procura crescente, contando o Programa no momento com um total de 69 alunos neste nível (turmas 2016 a 2019), que somam-se assim aos 80 alunos atualmente matriculados no curso de Mestrado (turmas 2018 e 2019). A implantação do Doutorado em 2015, que contribuiu para uma expansão quantitativa do Programa, que tornou-se assim uma estrutura acadêmica complexa e de grande porte, foi favorecido também pela transição do Programa para uma estrutura interna em que um peso decisivo passou a ser conferido a Grupos de Pesquisa, núcleos capazes de fazer convergir competências e interesses em torno de objetivos comuns de pesquisa. Nos anos seguintes, pôde-se observar o reflexo qualitativo deste desenvolvimento na produção intelectual do Programa, de discentes, docentes e egressos, e percorrendo um amplo espectro de temas e abordagens.

Como desenvolvimentos marcantes da etapa de desenvolvimento do PPGM-UFRJ iniciada em 2013, contam-se ainda: a inclusão da Linha de Pesquisa “Música, Educação e Diversidade” no curso de Doutorado, a partir do segundo semestre 2018; o lançamento de novas publicações e eventos, mais especializados, voltados aos vários temas e métodos de pesquisa abordados no âmbito do Programa; a inserção do Programa no Programa Nacional de Pós-Doutorado; a oferta de bolsas no âmbito do Programa Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), a partir de 2016 (desde então, cinco alunos cumpriram o Programa, com oferta anual de uma cota); a realização de intercâmbios de alunos através de programas independentes como Erasmus, Fullbright e Ibermusicas.

1.2.4 Perspectivas futuras

Com base no exposto acima, o PPGM-UFRJ investe presentemente em um planejamento futuro com metas de curto, médio e longo prazo (ver “13. Planejamento Futuro”) refletindo as ênfases a nova política “multidimensional” de avaliação da CAPES, com especial atenção aos aspectos de autoavaliação, formação e impacto na sociedade do Programa. Entre as perspectivas futuras futuras do Programa, contam-se ainda:

a) A consolidação de Grupos de Pesquisa, núcleos no âmbito dos quais tem se produzido uma parte expressiva da produção intelectual, artística e técnica do PPGM-UFRJ. O Programa conta no momento com 13 grupos em atividade com estrutura transversal às Linhas de Pesquisa, contribuindo assim para estudos interdisciplinares inerentes à pesquisa no campo das Artes;

b) A consolidação do diálogo entre os Grupos de Pesquisa propiciado pela estruturação do Colóquio de Pesquisa do PPGM-UFRJ na forma de comunicações sequenciais, em sessão única. Tal formato revela-se bem sucedido, nos últimos anos, por contribuir para a expansão dos horizontes de pesquisa dos integrantes do Programa, fomentando o diálogo e a troca de experiências com pesquisadores externos de todas as regiões do país em torno do amplo espectro de temas e abordagens trazido pelos participantes;

c) O fortalecimento da produção das Áreas de Concentração e Linhas de Pesquisa do Programa com menor número de docentes, através do encaminhamento de professores recém-doutores para atuação como colaboradores e professores externos como convidados em disciplinas;

d) O estímulo a docentes do Programa à participação em congressos nacionais ou internacionais através do fomento de passagens aéreas e hospedagem, ações capazes de disseminar informações, resultados de pesquisa e interlocução entre centros.

1.3 PPGM-UFRJ: Contextualização do Programa

1.3.1 Contextos local e regional

Considerado desde o ponto de vista de sua história e localização geográfica, elementos que moldaram as vocações e a identidade do Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Música da UFRJ ao longo de suas quatro décadas de existência, cumpre reconhecer o papel desempenhado neste processo pela sua inserção nos contextos local e regional, ou seja, no contexto de uma das grandes cidades capitais do país, polo cultural de alcance nacional e internacional.

O PPGM-UFRJ coloca-se hoje, portanto, como um importante fator para o desenvolvimento da Pesquisa em Música nos planos local e regional, consolidando para tal importantes elos inter- e intra-institucionais. No âmbito das relações com instituições afins, destaca-se a duradoura parceria com o Instituto Villa-Lobos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), instituição conveniada com a qual realiza-se do compartilhamento de disciplinas coletivas, tanto obrigatórias como optativas, com aproveitamento de créditos entre os Programas de Pós-Graduação, ao intercâmbio de docentes em atividades de ambos os Programas, e com benefícios para os alunos de ambas as instituições. O duradouro convênio baseia-se sobretudo no perfil complementar dos PPGMs das duas instituições, favorecendo a procura de discentes por vagas em áreas de pesquisa distintas.

No tocante à interação com Instituições de Ensino Superior (IES) em nível regional, o PPGM-UFRJ tem mantido contato, e não raro exercido uma influência de caráter estruturante e de qualificação, com instituições que não possuem ainda Programas de Pós-Graduação em Música (embora possuam cursos de Graduação na área e Pós-Graduação em áreas afins). Entre estas, contam-se: Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Universidade Candido Mendes Nova Friburgo (UCAM); Centro Universitário de Barra Mansa (UBM); Conservatório de Música de Niterói (CMN); Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES); Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); e Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), além de outros cursos em fase de implantação.

A colaboração com instituições afins se concretiza, ainda, com o oferecimento de disciplinas do PPGM-UFRJ com professores externos convidados. Em 2017, o PPGM-UFRJ ofereceu disciplinas com os seguintes professores convidados externos: Luiz Paulo Sampaio, Carlos Alberto Figueiredo, Marcelo Carneiro e Alexandre Fenerich (UNIRIO); Helen Jardim (Colégio Pedro II); Carlos Volotão (IME); José Augusto Mannis (UNICAMP); Aline Couri (EBA-UFRJ); Analu Cunha (UERJ). Já em 2018, com os professores convidados externos: Analu Cunha (UERJ); Fernando Morais da Costa (UFF); Cesar Buscacio (UFOP); José Augusto Mannis (UNICAMP); Alexandre Fenerich, Carole Gubernikoff, Erica Giesbrecht, Inês Rocha, Maya Lemos, Vincenzo Cambria (UNIRIO); André Luiz Gonçalves de Oliveira (UNOESTE); Ricardo Ballestero (USP). Em 2019, o PPGM-UFRJ ofereceu disciplinas com os professores convidados externos: Patricia Teixeira dos Santos (UNIFESP), Álvaro Neder (UNIRIO), Vincenzo Cambria (UNIRIO) e Giulio Draghi (UFRJ).

Já no plano intra-institucional, o PPGM-UFRJ tem fomentado a interlocução e colaboração de seus Grupos de Pesquisa com Unidades Acadêmicas e Programas de Pós-Graduação da própria UFRJ. Neste sentido, como o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFRJ, a Escola Politécnica da UFRJ ou o Instituto de Psiquiatria da UFRJ, entre muitos outros. Tal iniciativa, já em desenvolvimento no âmbito do PPGM-UFRJ, encontra respaldo ainda no Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRJ para 2019-2023, preconizando, entre outras coisas, a construção de “redes de pesquisa temáticas, agregando áreas de excelência e relevância para sociedade e fomentar a integração entre áreas de interseção dos Programas de Pós-Graduação já consolidados na UFRJ” (PDI-UFRJ 2019-2023, p. 137).

Por seu pioneirismo e centralidade geográfica e cultural, em seus 40 anos de existência o PPGM-UFRJ tem contribuído consistentemente para o desenvolvimento da Pesquisa em Música no Brasil, cumprindo um importante papel na formação em nível de Pós-Graduação, com egressos atuantes como professores de inúmeros Programas de Pós-Graduação em Música e cursos de Graduação em Música do país (como detalhado em “2.2 Perfil do egresso” e “8.2 Acompanhamento de egressos”).

A demanda anual de inscrições discentes para o PPGM-UFRJ na cidade do Rio de Janeiro tem sido intensa e consistente. Sua influência e abrangência continua em expansão, com pós-graduandos de diversos estados brasileiros e do exterior. Nos últimos cinco anos (2015-2019), os seguintes números de alunos externos foram atendidos no curso de Mestrado:

Turma 2015: 42 novos mestrandos matriculados, sendo 8 externos ao Rio de Janeiro (Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina).

Turma 2016: 26 novos mestrandos matriculados, sendo 4 externos ao Rio de Janeiro (Espírito Santo, São Paulo e Paraná).

Turma 2017: 14 novos mestrandos matriculados, sendo 3 externos ao Rio de Janeiro (Espírito Santo e Goiás).

Turma 2018: 27 novos mestrandos matriculados, sendo 7 externos ao Rio de Janeiro (Ceará, Goiás, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe).

Turma de 2019: 12 novos mestrandos matriculados, sendo 2 externos ao Rio de Janeiro (Espírito Santo e São Paulo).

O curso de Doutorado, iniciado em 2015, teve a sua primeira turma quase inteiramente finalizada em 2019, configurando-se a entrada de alunos matriculados da seguinte forma:

Turma 2015: 19 novos doutorandos matriculados, todos do Rio de Janeiro.

Turma 2016: 25 novos doutorandos matriculados, 3 externos ao Rio de Janeiro (Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Norte).

Turma 2017: 9 novos doutorandos matriculados, 2 externos ao Rio de Janeiro (Goiás e Paraíba).

Turma 2018: 25 novos doutorandos matriculados, 4 externos ao Rio de Janeiro (estado de Espírito Santo e Tocantins, e Cuba).

Turma 2019: 10 novos doutorandos matriculados, 3 externos ao Rio de Janeiro (Paraná, Minas Gerais e Pernambuco).

1.3.2 Produção intelectual

Pode-se dizer que a produção intelectual do corpo docente, discente e de egressos do PPGM-UFRJ reflete hoje, de maneira geral, tanto a verticalidade das atividades de ensino e pesquisa em relação às Linhas de Pesquisa a que estão vinculados, quanto a influência sobre estas atividades da vinculação dos Grupos de Pesquisa do Programa. A consistência temática, conceitual e metodológica daí decorrente, e observável em uma produção incluindo diversas apresentações de trabalhos orais, artísticos e publicações no exterior, tem possibilitado também a participação de membros do Programa em atividades técnicas e administrativas de alta qualidade, dentro e fora da Universidade, em nível nacional e internacional, bem como com representações variadas em sua área de atuação, mostrando o grau de inserção de seus membros no contexto acadêmico e profissional.

Como sinaliza a análise dos indicadores de desempenho do Programa no último Quadriênio de avaliação (2013-2016), a tendência de desenvolvimento de Projetos de Pesquisa e de Extensão propostos por docentes relaciona-se crescentemente ao perfil produtivo de discente e egressos. Dentre os resultados mais significativos da produção vinculada às Linhas de Pesquisa do Programa, encontram-se:

I. Projetos de apresentação, divulgação e discussão de música brasileira e contemporânea:

a) O projeto “Compositores”, ativo desde 2013, é uma iniciativa do Departamento de Composição da Escola de Música da UFRJ em colaboração com o Laboratório de Música e Tecnologia (LaMuT) do PPGM-UFRJ. Promove palestras de compositores consagrados em âmbito nacional e internacional, para comunicações sobre obras e realização de masterclasses para alunos do curso de Graduação em Composição. No Quadriênio, o projeto teve os seguintes compositores convidados: Borislava Taneva (Bulgária), Marcos Mesquita (Brasil), Arthur Kampela (Brasil), Guilherme Bertissolo (UFBA), Tatiana Catanzaro (Brasil), Rael Toffolo (UNESP), Clarice Assad (Brasil/EUA), Bernardo Ramos (UFRJ), Mark Hagerty (EUA), Mario Adnet (Brasil), Edgardo José Rodriguez (Argentina) e Gregory Mertl (EUA, artista independente).

b) O “Panorama da Música Brasileira Atual”, um dos mais importantes festivais de música contemporânea de concerto do país, foi criado em 1978 por Ricardo Tacuchian no âmbito do Departamento de Composição da Escola de Música da UFRJ. O festival reúne alunos de Composição da Graduação, e de Práticas Interpretativas do PPGM-UFRJ, para a realização de concertos sinfônicos e de câmara, com chamada nacional, exclusivamente com estreias, e concomitante promoção de palestras e mesas redondas para discussão de assuntos ligados à composição, produção e realização de música de concerto contemporânea. Junto ao festival, é promovido o “Concurso Nacional de Composição Escola de Música da UFRJ”, com chamada nacional e comissão julgadora local, que premia obras orquestrais com prêmio em dinheiro e a execução das estreias no concerto sinfônico do Panorama da Música Brasileira Atual. Em sua vigésima nona edição em 2018, foram realizadas 72 estreias, além das três obras premiadas pelo Concurso Nacional de Composição.

c) Projeto de Extensão “Eletroacústicas”, série de transmissões radiofônicas semanais coordenada pelo professor Rodrigo Cicchelli, com divulgação do repertório eletroacústico nacional e internacional pela Rádio MEC FM, com cobertura em território nacional e inclusão de estreias e entrevistas com compositores e instrumentistas envolvidos. Em 2019, foram 52 programas, com diversas estreias de obras brasileiras e internacionais.

II. Projetos de divulgação e discussão da pesquisa em processos criativos e musicologia sistemática:

a) “Jornada Interdisciplinar de Som e Música no Audiovisual”: promovido em conjunto com a Cinemateca do MAM, a JISMA teve sua primeira edição em 2016, e é um evento com mesas-redondas reunindo pesquisadores de som e música sobre diversos objetos audiovisuais. Corrobora e legitima a existência de um campo interdisciplinar que tem crescido nos últimos anos, tanto na área de Música quanto na de Cinema/Comunicação e na de Artes, com o surgimento e multiplicação de artigos, Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado. Em sua quarta edição em 2019, a JISMA reuniu pesquisadores do país todo, consolidando-se como evento de referência para a área.

b) “III Congresso da Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA) & IV Congresso Internacional de Música e Matemática”: realizado em 2019 pelo Grupo de Pesquisa “MusMat” em parceria com a Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA), reuniu em torno do tema da “Teoria Musical no Brasil – Diálogos Intercontinentais e Música e Matemática – Diálogos Intercontinentais”, o grupo “MusMat” um extenso rol de convidados nacionais e internacionais, como Edgardo Rodríguez (Universidad Nacional de La Plata, Argentina), Gabriel Pareyon (Universidad de Guadalajara, México), Jean-Pierre Briot (IRCAM/CNRS, França), José Oliveira Martins (Universidade de Coimbra, Portugal), Patrick McCreless (Yale University, EUA), Robert Morris (Rochester University, EUA), Arthur Kampela (UNIRIO), Carole Gubernikoff (UNIRIO), Charles de Paiva (UNICAMP), Cliff Korman (UNIRIO), Cristina Gerling (UFRGS), Didier Guigue (UFPB), Ilza Nogueira (UFPB), Júlio Herrlein (UFRGS), Marcelo Carneiro (UNIRIO), Marcos Branda Lacerda (USP), Paulo Costa Lima (UFBA), Paulo de Tarso (USP), Ricardo Bordini (UFMA) e Rodrigo Schramm (UFRGS).

III. Projetos de divulgação e publicação de conhecimento musicológico, de caráter etnográfico e no âmbito da musicologia histórica:

a) “Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ”, evento que tem contribuído ao longo dos anos para o diálogo com o conhecimento do campo, notadamente através da participação de especialistas da área de diversos centros universitários nacionais e internacionais em palestras, mesas redondas e anais do evento. Em sua décima edição em 2019, reuniu pesquisadores como Manuel Pedro Ferreira (Universidade Nova de Lisboa, Portugal, membro da Academia Europeia e da direção da Sociedade Internacional de Musicologia), Silvio dos Santos (University of Florida, EUA), Manoel Aranha Corrêa do Lago (Academia Brasileira de Música), Didier Guigue (UFPB), Rubens Russomanno Ricciardi (USP-RP), e Mayrton Bahia (UNESA), incluindo ainda, a segunda edição do Curso de Extensão “Pedagogia da História da Música Brasileira para a Educação Básica”, com vínculo metodológico ao Grupo de Pesquisa “Novas Musicologias”.

b) “Simpósio Nacional Villa-Lobos”, em sua quinta edição em 2019, realizado no âmbito de um dos mais reconhecidos Festivais de Música da América Latina, o Festival Villa-Lobos, o evento tem reunido pesquisadores da obra e da interpretação do compositor e de música brasileira em geral para palestras, comunicações de pesquisas em andamento e concertos, com publicação de anais em formato eletrônico.

c) Série “Rodas para Pensar – encontros para conhecer o trabalho com música”, inserida na Linha de Pesquisa “Etnografia das Práticas Musicais”, e vinculada ao Projeto de Pesquisa “Práticas de interlocução e registro etnográfico sobre o trabalho com música”. Reúne pesquisadores acadêmicos, músicos profissionais, estudantes de Graduação e Pós-Graduação e interessados em geral, tematizando a música como construção profissional, em frentes diversas de trabalho. No período de 2017 a 2019, contou com a contribuição de 17 convidados-palestrantes e de um público diversificado e participativo nas discussões.

d) O Grupo de Pesquisa “Africanias” promoveu em 2019 o “I Congresso Africanias”, propondo, em torno do tema “Oralidade e Escritura”, a compreensão das contribuições dos diversos povos africanos e indígenas nos diferentes gêneros da música brasileira, através do estudo sistemático, contando com a participação de pesquisadores de diferentes áreas e instituições. O encontro fomentou discussões e debates entre os pesquisadores, intérpretes, discentes e a comunidade externa a partir da realização de palestras, comunicações científicas e apresentações artísticas.

e) Colóquio Internacional “Heitor Villa-Lobos e a Europa nos 60 anos de sua morte”, promovido pelo Grupo de Pesquisa “Polo Caravelas Brasil” em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa e o Caravelas Portugal. O evento reuniu pesquisadores nacionais e internacionais para comunicações, mesas redondas e concertos ligados à pesquisa em torno do compositor brasileiro, por ocasião de seus 60 anos de morte.

IV. Projetos de promoção da construção do conhecimento em práticas interpretativas:

a) “Semana do Cravo”: O longevo evento, oferecido sem interrupções desde o ano de 2003, tem reunido ao longo de sua história pesquisadores do repertório e interpretação do instrumento em âmbito nacional e internacional, com mesas redondas, concertos e, mais recentemente, publicação de anais com artigos completos. Em sua XVI edição (2019), foram abordados e discutidos temas como “O papel do acompanhador de cravo nas instituições e festivais brasileiros” e “O cravo e seus intérpretes no Rio de Janeiro no século XX – anos 70, 80 e 90, com a presença dos principais pesquisadores da musicologia histórica e prática interpretativa do instrumento. O evento homenageou postumamente a cravista Violetta Kundert, cuja atuação pioneira foi marcante no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras, sobretudo como participante do Conjunto de Música Antiga da Rádio MEC.

b) “Jornada do Violão”: Iniciada em 2018, com curadoria do Grupo de Pesquisa “NEV – Núcleo de Estudos do Violão”, o evento é coordenado pela professora Márcia Taborda, oferecendo masterclass e recital de Daniel Wolff, palestra com o luthier Ricardo Dias sobre a luteria e a formação da música, e mesa redonda sob o tema “Caminhos do violão: ensino, técnica e mercado de trabalho”, mediada por Paulo Pedrassoli e com a participação de Marco Pereira, Nicolas de Souza Barros, Frederico Barros e Daniel Wolff. A programação incluiu ainda o painel “O violão na produção acadêmica atual”, com Valmir Oliveira, Elodie Bouny, Paula Borghi e Fernando Cury.

c) “Jornada de Músicas Mistas da UFRJ”: O Projeto de Extensão propõe a realização de eventos públicos e gratuitos agrupando atividades artísticas, culturais e acadêmicas em torno das músicas mistas, ou seja daquelas que conjugam instrumentos musicais tradicionais a meios eletrônicos e informáticos. Realizadas desde 2015 na Escola de Música da UFRJ, com atividades como palestras, mesas-redondas, concertos, publicações, as “Jornadas” tem como público alvo de alunos de Graduação e Pós-Graduação ao público em geral (chegará à sua quarta edição em 2020).

V. Projetos de alto impacto social produzidos a partir das pesquisas desenvolvidas no PPGM-UFRJ:

a) “Som da Maré” e “Escola de Música de Manguinhos”: No campo da inovação social visando ao impacto ambiental e social da produção cultural e artística, bem como a promoção dos direitos humanos, das liberdades fundamentais, da diversidade cultural e em última análise da própria cidadania, o Programa atua em áreas de vulnerabilidade social da cidade do Rio de Janeiro através dos projetos “Som da Maré” e “Escola de Música de Manguinhos”, ou seja em comunidades habitadas por cerca de 180 mil pessoas. Associado ao Projeto de Pesquisa “Som da Maré”, o Grupo de Pesquisa “Musicultura” vinculado ao Grupo de Pesquisa “Laboratório de Etnomusicologia” coordenado pelo professor Samuel Mello Araújo Júnior tem se destacado pelo impacto social de sua ação educadora, recebendo por isso justa e merecida atenção dos veículos da grande mídia.

VI. Projeto de divulgação e discussão de pesquisas concluídas e em andamento, desenvolvidos dentro e fora do âmbito do Programa:

c) Colóquio de Pesquisa do PPGM-UFRJ: o evento consolida-se como evento de âmbito nacional, por demanda das próprias instituições externas, com participantes de todas as regiões do país. Em 2019, alcançou sua décima oitava edição, sem interrupções, o que faz dele um dos mais longevos e regulares eventos científicos da Escola de Música da UFRJ, e assim uma bem-sucedida experiência de ensino e pesquisa acadêmica. Todas as comunicações têm sido transmitidas e disponibilizadas pela Internet, na página do PPGM-UFRJ no Facebook, o que tem emprestado qualidade interativa ao evento, democratizando o acesso às discussões nele desenvolvidas e ampliando desta forma o seu impacto.