Histórico e Contextualização do Programa

UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, antiga Universidade do Brasil) tem sua história ligada à fundação da pós-graduação no Brasil. No início da década de 1960, duas iniciativas pioneiras marcaram o início do desenvolvimento da pesquisa acadêmica formal, nas áreas das Ciências Físicas e Biológicas (fruto de convênio com a Fundação Ford) e da Engenharia (com a criação da COPPE). Desde então, a instituição tem valorizado e incentivado as atividades de pós-graduação, tendo se tornado referência para a atividade de pesquisa em nível nacional e internacional.

O reconhecimento da importância da pesquisa para o processo de produção de conhecimento voltado para a sociedade e ao desenvolvimento do país tem predominado no direcionamento da instituição. Em conformidade com esse quadro, a qualidade da pós-graduação na UFRJ é marca presente em todas as áreas do conhecimento.

A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2), responsável por este conjunto de ações, em parceria com seus programas e grupos de pesquisa, vem obtendo resultados significativos, nos últimos anos, com respeito à ampliação da abrangência da pós-graduação, tendo recentemente ultrapassado o total de 100 programas distribuídos nas mais diversas áreas.

PPGM-UFRJ (histórico)

O Programa de Pós-graduação em Música da Escola de Música da UFRJ (PPGM-UFRJ) foi criado em 1980, em resposta ao anseio do Centro de Letras e Artes da UFRJ no sentido do desenvolvimento da reflexão e pesquisa na área.

Primeira fase

O Programa foi concebido inicialmente (1980-1999) como um espelho da estrutura acadêmica dos cursos de graduação da Escola, visando a adaptação das demandas ao corpo docente, em grande parte, e naturalmente, com pouca ou nenhuma experiência acadêmica de pesquisa em Música, esta ainda incipiente no país.

Esta limitação incorreu na ênfase em produção artística e na pesquisa relacionada exclusivamente com os objetos dessa produção, considerando, por outro lado, o ponto de vista da Musicologia dos anos 1980 em relação àqueles conteúdos. A produção relacionada à composição musical era quase exclusivamente associada a práticas analíticas tradicionais, e os trabalhos desenvolvidos em práticas interpretativas recebiam sistemático tratamento histórico-musicológico.

Nesta fase inicial, não havia um sentido estrito de verticalidade temática e conceitual nas pesquisas desenvolvidas, havendo grande diversidade de objetos e metodologias, sem que se verificasse a clara vinculação entre os trabalhos desenvolvidos pelos alunos e as pesquisas conduzidas pelos próprios orientadores. Mesmo assim, e dentro deste contexto, o PPGM-UFRJ formou 172 mestres no período indicado, nas áreas de Composição e Práticas Interpretativas.

Segunda fase

A segunda fase da história do PPGM-UFRJ (1999 – 2011), inicia-se com a criação da área de concentração em Musicologia e abertura de um grande processo de reestruturação do seu regulamento, do corpo docente e de suas práticas acadêmicas, no sentido de se adequar às novas orientações da pós-graduação na Área, de forma gradual, no período de dez anos. Na avaliação trienal de 2009, a Comissão Deliberativa do PPGM-UFRJ entendeu que a relação de coerência entre áreas de concentração, linhas de pesquisa, projetos e disciplinas ainda não apresentava a consistência necessária para o bom desenvolvimento das atividades do Programa.

No triênio 2007 – 2009, o Programa investiu em reforma mais radical, visando a finalização do projeto de verticalização de sua produção. A equipe debruçou-se sobre a análise da estrutura e dos efeitos da reforma de 1999 e realizou a confluência entre formação de corpo docente, vocação acadêmica do Programa e indicadores de produtividade, visando à conversão de uma produção ainda heterogênea e pouco interativa em Linhas de Pesquisa claras e mais produtivas, que ficaram então organizadas em três grandes Áreas: Processos Criativos, Musicologia e Educação Musical.

A área de Processos Criativos tem como foco o ato criativo, entendido não só como produção de discurso ou estruturas, mas também de técnicas e ações. Abrange tanto o estudo das poéticas discursivas ou textuais (representado pela linha “Poéticas da criação musical”) quanto da construção de práticas de interpretação e performance (representada pela linha “As práticas Interpretativas e seus processos reflexivos”).

A área da Musicologia divide-se em duas grandes linhas. A linha “Etnografia das práticas musicais” tem fundamentação nos estudos etnomusicológicos e concentra-se na interação direta com práticas musicais regionais ou urbanas, trazendo para o contexto do Programa o contato com saberes externos ao meio acadêmico, e apresentando forte concisão temática. A linha “História e documentação da música brasileira e ibero-americana”, por outro lado, concentra-se nos estudos dos registros que geram conhecimento no contexto nacional e internacional dos estudos sobre a música e a cultura brasileira (dada a inserção de suas produções e de seus docentes permanentes).

A mais recente área de concentração do Programa, Educação Musical, consolidada no triênio 2009-2011, aborda ações e práticas musicais e pedagógicas ligadas ao desenvolvimento e bem estar integrado do indivíduo, apresentando-se no momento em linha de pesquisa única. A linha “Música, Educação e Diversidade” abrange os processos de ensino e aprendizagem em diferentes contextos sociais, formais e informais, educação especial, saúde mental e processos de inclusão, cujos espaços de investigação são, muitas vezes, externos à Escola de Música, como comunidades, hospitais, centros de tratamento e reabilitação.

Terceira fase

Em 2012, o PPGM-UFRJ entra em sua terceira fase, com áreas de concentração e linhas reformuladas, visando a sua melhor definição e otimização.

Foi promovida a adequação do número de projetos de pesquisa vinculados ao Programa, com distinção mais clara entre Pesquisa, Desenvolvimento e Extensão e o fomento de formação de grupos de pesquisa.

Presente e futuro

No momento, estão em curso as ações que visam tanto a proporcionalidade entre frentes de pesquisa e dimensão do corpo docente, quanto à valorização da interação entre linhas e grupos de pesquisa e projetos desenvolvidos coletivamente, com docentes e alunos do programa, bem como com pesquisadores externos.

Estabeleceu-se também um trabalho na direção da coerência temática das pesquisas (verticalização), na consistência de sua inter-relação (aproximação teórico-metodológica, que tem resultado na criação de projetos mais integrados), na abrangência das áreas de concentração, sobretudo na nova área de Processos Criativos (que desde então passou a abranger as pesquisas antes relacionadas à composição musical e às práticas interpretativas), bem como na congruência de linhas de pesquisa e projetos a elas vinculados; na relação com a Graduação e com instituições de ensino médio e básico; e, finalmente, na concisão da proposta curricular.

A avaliação trienal de 2010-2012 trouxe o reconhecimento de resultados positivos do processo de reformulação do PPGM-UFRJ.

No quadriênio 2013-16, a produção de 86 dissertações de Mestrado defendidas espelham maior verticalidade, coerência e qualidade, dentro de padrões atualizados.

Em 2015, o PPGM-UFRJ se instalou em sua nova sede, no Edifício Ventura, onde passou a contar com uma nova infraestrutura, ideal para suas necessidadades, superando assim uma de suas principais dificuldades.

Em fevereiro de 2015, a Coordenação de Área da CAPES emitiu parecer favorável à implantação do Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O curso teve início em agosto de 2015, com turma de 20 alunos e oferta de disciplinas compartilhadas com professores de outras IFEs.

Houve também a inserção do programa no Programa Nacional de Pós-Doutorado, com o acolhimento de quatro alunos bolsistas.

Em 2016, houve a primeira oferta de bolsas-sanduíche para dois alunos da turma Doutorado 2015, que serão cumpridas em 2017-1 e 2017-2, respectivamente.

Paralelamente, alguns alunos já estão fazendo intercâmbio através de programas independentes, como o Erasmus e o Ibermusicas.

Como próximos passos, o PPGM-UFRJ pretende aprofundar o processo de verticalização e integração com a Graduação, fomentar o processo já em curso de internacionalização, firmando novos convênios e intercâmbios, e lançar novas publicações, focadas nos campos de conhecimento desenvolvidos no Programa.

Ventura

PPGM-UFRJ (contexto regional)

O contexto regional do Programa, pela localização em uma das maiores capitais do país e pólo cultural de âmbito nacional, é privilegiado.

A demanda anual de inscrições discentes para o PPGM-UFRJ na cidade do Rio de Janeiro tem sido intensa e consistente.

O Instituto Villa-Lobos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) é instituição parceira da Escola de Música da UFRJ, tendo convênio institucional firmado que permite o compartilhamento de disciplinas coletivas e o aproveitamento de créditos entre os Programas de Pós-graduação, com intercâmbio de docentes em atividades de ambos os Programas, e com benefícios para os alunos de ambas as instituições. Além disso, o perfil complementar de ambos os Programas favorece a procura de discentes por vagas em áreas de pesquisa distintas.

As demais Instituições de Ensino Superior (IES), na microrregião, que vêm ainda se estruturando e não possuem programas de pós-graduação na área (embora possuam cursos de graduação na área e cursos de pós-graduação em áreas afins), são:

  1. Universidade Federal Fluminense (UFF)
  2. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
  3. Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU)
  4. Universidade Candido Mendes Nova Friburgo (UCAM)
  5. Centro Universitário de Barra Mansa (UBM)
  6. Conservatório de Música de Niterói (CMN)
  7. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
  8. Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES)
  9. Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  10. Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ),

além de outros cursos em fase de implantação. Desta forma, o PPGM-UFRJ tem se consolidado como um Programa importante para o desenvolvimento da pesquisa em música na região.

Como programa pioneiro, em seus 36 anos de existência o PPGM-UFRJ contribuiu diretamente para o desenvolvimento da área, tendo sido formador de parte significativa dos pesquisadores em música do país, assim como do corpo docente de grande parte dos demais programas de pós-graduação em Música e cursos de graduação em Música brasileiros.

Sua influência e abrangência continua em expansão, com número crescente de pós-graduandos de vários estados brasileiros e do exterior. Nos dois últimos triênios (2010-2015), recebemos um total de 185 alunos para o curso de Mestrado, tendo quantitativos de alunos de outras regiões:

2010 (28 formandos):

  • Espírito Santo (3);
  • México (1);
  • Rio Grande do Sul (1);
  • Rio de Janeiro (21);
  • São Paulo (2).

2011 (40 formandos)

  • Canadá (1);
  • EUA (1);
  • Espírito Santo (4);
  • Mato Grosso (1);
  • Paraná (1);
  • Rio de Janeiro (32).

2012 (25 formandos)

  • Ceará (1);
  • Espírito Santo (1);
  • Paraná (2);
  • Rio de Janeiro (20);
  • São Paulo (1).

2013 (21 formandos)

  • Espírito Santo (3);
  • Minas Gerais (1);
  • Paraná (1);
  • Rio de Janeiro (16).

2014 (30 alunos)

  • Espírito Santo (5);
  • Paraná (1);
  • Rio de Janeiro (22);
  • São Paulo (2).

2015 (43 alunos)

  • Espírito Santo (3)
  • Minas Gerais (1)
  • Rio de Janeiro (37);
  • São Paulo (2).

O curso de Doutorado, iniciado em 2015, recebeu sua terceira turma com 20 alunos, sendo 1 do Paraná e 19 do Rio de Janeiro.

PPGM-UFRJ (produção)

O corpo docente do PPGM-UFRJ destaca-se em atividades técnicas e administrativas de alta qualidade, dentro e fora da Universidade, em nível nacional e internacional, bem como com representações variadas em sua área de atuação, mostrando o grau de inserção de seus membros no contexto acadêmico e profissional.

A análise dos indicadores extraídos do desempenho do Programa nos dois últimos triênios, sinaliza que a tendência de desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão propostos pelos docentes está crescentemente ligada ao perfil produtivo de seus egressos.

Dentre os resultados mais significativos da produção vinculada às linhas de pesquisa do Programa, encontram-se:

  1. Projetos de realização, divulgação e discussão de música brasileira e contemporânea:
    1. Projeto Compositores (ativo desde 2013), constituído de encontros com compositores consagrados em âmbito nacional e internacional com alunos de composição e público em geral, para comunicação de informação sobre obras e realização de masterclasses; em 2016, o Projeto recebeu compositores como Arthur Kampela, Marcos Mesquita, Mark Hagerty e Tatiana Catanzaro, entre outros.
    2. Panorama da Música Brasileira Atual (com mais de 30 anos de tradição), serie de concertos com dezenas de estreias de música brasileira nova, inclusive sinfônicas, em conjunção com o Concurso de Composição Escola de Música da UFRJ;
    3. Projeto de extensão ‘Eletroacústicas’, coordenado pelo prof. Rodrigo Cicchelli, com divulgação do repertório eletroacústico nacional e internacional pela Rádio MEC FM, com cobertura em território nacional e inclusão de estreias e entrevistas com compositores e instrumentistas envolvidos.
  2. Projetos de divulgação e publicação de conhecimento musicológico:
    1. Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ (em sua VII edição), um dos mais expressivos eventos de Musicologia da América Latina, envolve dezenas de pesquisadores de todo o mundo, com palestras, mesas redondas, concertos e publicação de livros e anais do evento. Em 2016, o SIM foi realizado em conjunto com o II Encontro da Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA), fomentando a reapoximação das áreas de Musicologia histórica e sistemática, bem como seus pesquisadores.
    2. Seminário Rio de Janeiro – Alemanha (1a. edição em 2015) – focado na mútua influência entre a cultura brasileira e alemã, o evento constitui-se de conferências, mesas redondas e publicação de livro.
    3. Projeto Música em Debate, encontro com pesquisadores internacionais no campo da Etnografia, para troca de informações e saberes, com permanência do pesquisador visitante no programa por prazos variáveis (uma semana a três meses). Em 2016, o Música em Debate recebeu pesquisadores como Javier Vatin e Ana Paula Lima Rodgers.
  3. Projetos de promoção da construção do conhecimento em práticas interpretativas:
    1. Simpósio Nacional Villa-Lobos (2a edição em 2016), realizado em conjunto com um dos mais reconhecidos Festivais de Música da América Latina, o Festival Villa-Lobos (em sua 54a edição em 2016), reúne pesquisadores da obra e da interpretação do compositor e de música brasileira em geral para palestras, comunicações de pesquisas em andamento e concertos, com publicação de anais em formato eletrônico.
    2. Semana do Cravo (em sua XIII edição em 2016), reúne pesquisadores do repertório e interpretação do instrumento em âmbito nacional e internacional, com mesas redondas e concertos.
    3. Simpósio de Práticas Interpretativas (III edição em 2016) é realizado em parceria com a Universidade Federal da Bahia e compõe-se de recitais, recitais-conferência e mesas redondas, focados na reflexão e compartilhamento de conhecimento relativo às práticas interpretativas e performáticas. Em 2016, com a consolidação do Programa de Pós-Graduação Profissional em Música da UFRJ (PROMUS), o evento passou a ser compartilhado entre os dois programas.
  4. Projetos de integração do PPGM-UFRJ com outras unidades, visando a construção de um conhecimento musical voltado para a promoção da saúde e do bem estar:
    1. Festival de Arte e Cultural da Diversidade – promovido pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ, em conjunto com os pesquisadores da linha ‘Música, educação e diversidade’, promove a integração entre pesquisadores da área da educação especial, com foco em artes e música, reunindo também membros de importantes institutos, como o INES (Instituto Nacional de Educação para Surdos),  Instituto Benjamin Constant (educação para deficientes visuais) e o curso de especialização em Musicoterapia do Conservatório Brasileiro de Música (CMB), para troca de informações, palestras, mesas redondas e vivências artísticas com o público e pessoas com necessidades especiais.
    2. Jornada Interdisciplinar de Som e Música no Audiovisual – promovido em conjunto com a Cinemateca do MAM, a JISMA teve sua primeira edição em 2016, e é um evento com mesas-redondas reunindo pesquisadores de som e música sobre diversos objetos audiovisuais. Corrobora e legitima a existência de um campo interdisciplinar que tem crescido nos últimos anos, tanto na área de Música quanto na de Cinema/Comunicação e na de Artes, com o surgimento e proliferação de artigos, dissertações e teses. Em sua primeira edição, contou com palestrantes nacionais e internacionais, bem como de grupos dedicados ao desenvolvimento da linguagem audiovisual, como o Musiarte.
  5. Eventos produzidos a partir das pesquisas desenvolvidas no Programa:
    1. Jongo em Concerto, fruto de um intercâmbio entre o PPGM-UFRJ e a ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado, IPHAN e Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu da Universidade Federal Fluminense, o Jongo em Concerto é liderado por discente que colabora como professor na comunidade da Serrinha, e investiga os diversos pontos de contato entre o Jongo urbano e a música de concerto, estabelecidos em vários pontos da história da música carioca. Em 2015, o Jongo em Concerto abriu as apresentações musicais da inauguração histórica da Casa do Jongo, com peças híbridas e participação de alunos e professores do PPGM-UFRJ e da comunidade. Em 2016, o projeto foi incluído em curta-metragem sobre o Jongo da Serrinha, exibido em circuito de salas da cidade durante o Festival de Cinema do Rio, produzido pela ONG americana RISE UP.
    2. Projeto Escola de Música de Manguinhos está sendo continuado por docentes do Programa, tendo por objetivo principal proporcionar ensino de música a crianças, jovens e adultos da Comunidade do mesmo nome, visando a contribuir para a formação desses alunos e/ou para a profissionalização dos mesmos, e integrando a área de Educação em estágios e desenvolvimentos de projetos.
    3. Projeto Som da Maré, desenvolvido na comunidade homônima, tem como base metodologias desenvolvidas para o “Sounds of the City – Belfast”, (encomendado pelo Metropolitan Art Centre, para a sua abertura em 2012). Nesse âmbito, o projeto tem como foco o trabalho com moradores no desenvolvimento de temas que podem formar a base de uma exposição de arte sonora de grande escala. O projeto utiliza métodos colaborativos e participativos para garantir um nível de autoria pelos próprios habitantes e moradores no intuito de contribuir para a celebração da cultura local. Este projeto é ligado à linha ‘Etnografia das práticas musicais’.
    4. Colóquio de Pesquisa do PPGM-UFRJ. O Colóquio de pesquisa se manteve até a sua 12a  edição (2013) como um evento interno, de apresentação de resultados de andamento de pesquisas para colegas docentes e discentes. A partir da edição de número 13 (2014), no entanto, houve uma gradual abertura para a troca com instituições em âmbito regional, a pedido de discentes das mesmas, e com a colaboração da própria coordenação, que viu nesse pedido uma oportunidade de abrir a produção do programa para a comunidade mais próxima. A edição 15 (2016) teve, pela primeira vez, chamada nacional e avaliação cega por pares, o que permitiu um retorno da comunidado acadêmica nacional para os participantes, que vieram de instituições diversas, tais como a UNIRIO, CBM, Faetec, FAMES e até mesmo um participante da região Nordeste (UFMA). Um esforço grande foi feito no sentido de retomar a publicação dos anais do Colóquio, o que permitiu que o periódico se atualizasse e esteja, no momento, com sua periodicidade recuperada. Além disso, todas as comunicações foram transmitidas e disponibilizadas pela Internet, na página do Facebook do PPGM-UFRJ, o que inaugurou uma fase interativa do evento.
    5. I Congresso Nacional de Música e Matemática – o congresso organizado pelo Grupo MusMat reuniu os maiores pesquisadores do país em torno das pesquisas sobre Música e Matemática, tendo sido um marco no campo da Análise Musical no país. O evento, em sua primeira edição, contou com mesas redondas, comunicações e concertos comentados. O número expressivo de participantes e seu entusiasmo foi uma marca forte da continuidade da série. O evento também foi marcado pela publicação da primeira revista brasileira dedicada ao tema, a MusMat – Revista Brasileira de Música e Matemática, que contou com a colaboração de convidados nacionais e internacionais, tais como Rodolfo Coellho de Souza, Jônatas Manzolli, Roberto Peck e Richar Cohn, entre outros.
    6. I Jornada Interdisciplinar ‘O Som dos Cassinos’ – o evento, em sua primeira edição organizado no âmbito da linha de pesquisa de musicologia histórica do programa, com o apoio do PPGM-UFRJ e Consulado da França no Brasil, concentrou-se no legado dos anos dourados dos Cassinos, na oportunidade da celebração dos 450 anos de aniversário da cidade e 70 anos de fechamento dos cassinos, palco de encontros musicais, de sociabilidade e de trocas artísticas multinacionais. O evento contou com a presença de importantes pesquisadores brasileiros e franceses, tais como Laurent Vidal, Gilles Demonet, Adalberto Paranhos, Laurent Cugny, Ruy Castro, Flávio Barreto, além de contar com um concerto com performances reconstituídas de compositores dos cassinos, tais como Jean Sablon e Henry Salvador.

Houve também a inserção do PPGM-UFRJ no Programa Nacional de Pós-Doutorado, com o recebimento de quatro alunos, alguns deles colaborando com disciplinas complementares oferecidas nos curso de Doutorado e Mestrado.

Além disso, o PPGM-UFRJ ofereceu disciplinas com professores convidados: Didier Guigue, UFPB e Paulo Costa Lima, UFBA. Em 2016, o PPGM-UFRJ contou com a honrosa colaboração de José Augusto Mannis (UNICAMP), André Gonçalves de Oliveira (EBA-UFRJ) e Aline Couri (EBA-UFRJ).

Outra professora visitante foi a doutora Ana Hofman, da Academia Eslovena de Ciências e Artes, que esteve associada ao Programa com Auxílio de Pesquisador Visitante da FAPERJ, ao Laboratório de Etnomusicologia entre 15 de novembro de 2015 e 8 de fevereiro de 2016.

Nesse período, participou das reuniões semanais de pesquisadores do referido Laboratório, participou eventualmente de aulas de graduação e pós-graduação, em pelo menos quatro oportunidades como ministrante convidada, frequentou as duas reuniões semanais do grupo Musicultura, na Maré, e apresentou uma conferência pública no âmbito da série Música em Debate, projeto de extensão do Laboratório.

Ao término de suas atividades, em reunião do Laboratório, apresentou a primeira versão de uma proposta ainda em construção de plataforma virtual para discussão sobre temas de comum interesse a ser explorada proximamente por pesquisadores do Brasil, através do LE-UFRJ, e dos países derivados do desmembramento da antiga Iugoslávia, área de pesquisa da Dra. Hofman.

A pesquisadora e o coordenador do Laboratório, Prof. Samuel Araujo, tiveram ainda a oportunidade de discutir em detalhe a publicação, ainda em 2016, de dois textos sobre suas respectivas perspectivas atuais de pesquisa, em livro sobre etnomusicologia e engajamento político-acadêmico, a ser lançado conjuntamente sob a chancela da Society for Ethnomusicology (EUA) e do International Council for Traditional Music.

O Laboratório contou também, entre julho e novembro de 2015, com o pesquisador Frederico Machado de Barros, doutor em sociologia pela USP, como bolsista do Programa de Apoio a Pós-Doutorado (PAPD), CAPES-FAPERJ, desenvolvendo pesquisa sobre as relações entre modernismo, música de concerto e etnografia na trajetória do compositor Guerra-Peixe (1914-1993). No momento, o professor se credenciou e faz parte do corpo docente como colaborador.

Sua função como bolsista do referido programa foi continuada por Ana Paula Ratto de Lima Rodgers, doutora em antropologia social pelo PPGAS-Museu Nacional da UFRJ, que desenvolverá pesquisas sobre acústica e processos ritualístico-musicais dos Enawene-Nawe, com a participação de especialistas nativos em instrumentos de sopro e do Doutor Leonardo Fuks, professor associado de acústica musical da EM-UFRJ.

O Programa também fomentou uma série de palestras em 2015, com pesquisadores nacionais e internacionais:

  • Anthony Seeger (EUA)
  • Didier Marc-Garin (França)
  • Antonio Sousa Dias (Portugal)
  • Raphael Sousa Santos (UFCG)
  • David Cranmer (Portugal)

A produção dos docentes e discentes do PPGM inclui também diversas apresentações de trabalhos orais, artísticos e publicações no exterior.