Histórico e Contextualização do Programa

1. Histórico e Contextualização do Programa

1.1. UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, antiga Universidade do Brasil) tem sua história ligada à fundação da pós-graduação no Brasil. No início da década de 1960, duas iniciativas pioneiras marcaram o início do desenvolvimento da pesquisa acadêmica formal, nas áreas das Ciências Físicas e Biológicas (fruto de convênio com a Fundação Ford) e da Engenharia (com a criação da COPPE). Desde então, a instituição tem valorizado e incentivado as atividades de pós-graduação, tendo se tornado referência para a atividade de pesquisa em nível nacional e internacional.

O reconhecimento da importância da pesquisa para o processo de produção de conhecimento voltado para a sociedade e ao desenvolvimento do país tem predominado no direcionamento da instituição. Em conformidade com esse quadro, a qualidade da pós-graduação na UFRJ é marca presente em todas as áreas do conhecimento.

A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2), responsável por este conjunto de ações, em parceria com seus programas e grupos de pesquisa, vem obtendo resultados significativos, nos últimos anos, com respeito à ampliação da abrangência da pós-graduação, tendo recentemente ultrapassado o total de 100 programas distribuídos nas mais diversas áreas.

1.2. PPGM-UFRJ (histórico)

O Programa de Pós-graduação em Música da Escola de Música da UFRJ (PPGM-UFRJ) foi criado em 1980, em resposta ao anseio do Centro de Letras e Artes da UFRJ no sentido do desenvolvimento da reflexão e pesquisa na área.

1.2.1. Primeira fase

O Programa foi concebido inicialmente (1980-1999) como um espelho da estrutura acadêmica dos cursos de graduação da Escola, visando a adaptação das demandas ao corpo docente, em grande parte, e naturalmente, com pouca ou nenhuma experiência acadêmica de pesquisa em Música, esta ainda incipiente no país.

Essa limitação incorreu na ênfase na produção artística e na pesquisa relacionada exclusivamente com os objetos dessa produção, considerando, por outro lado, o ponto de vista da Musicologia dos anos 1980 em relação àqueles conteúdos. A produção relacionada à composição musical era quase exclusivamente associada a práticas analíticas tradicionais, e os trabalhos desenvolvidos em práticas interpretativas recebiam tratamento exclusivamente histórico-musicológico.

Nessa fase inicial, não havia um sentido estrito de verticalidade temática e conceitual nas pesquisas desenvolvidas, havendo grande diversidade de objetos e metodologias, sem que se verificasse a clara vinculação entre os trabalhos desenvolvidos pelos alunos e as pesquisas conduzidas pelos próprios orientadores. Dentro deste contexto, foram finalizadas e defendidas 172 trabalhos finais (dissertações de Mestrado) no PPGM-UFRJ no período indicado, nas áreas de Composição e Práticas Interpretativas.

1.2.2. Segunda fase

A segunda fase da história do PPGM-UFRJ (1999 – 2011), inicia-se com a criação da área de concentração em Musicologia e abertura de um grande processo de reestruturação do seu regulamento, do corpo docente e de suas práticas acadêmicas, no sentido de se adequar às novas orientações da pós-graduação na Área, de forma gradual, no período de dez anos. Na avaliação trienal de 2009, a Comissão Deliberativa do PPGM-UFRJ entendeu que a relação de coerência entre áreas de concentração, linhas de pesquisa, projetos e disciplinas ainda não apresentava a consistência necessária para o bom desenvolvimento das atividades do Programa.

No triênio 2007-2009, o Programa investiu em uma reforma mais radical, visando a finalização do projeto de verticalização de sua produção. A equipe debruçou-se sobre a análise da estrutura e dos efeitos da reforma do Ensino de 1999 e realizou a confluência entre formação de corpo docente, vocação acadêmica do Programa e indicadores de produtividade, visando à conversão de uma produção ainda heterogênea e pouco interativa em Linhas de Pesquisa claras e mais produtivas, que ficaram então organizadas em três grandes Áreas: Processos Criativos, Musicologia e Educação Musical.

A área de Processos Criativos tem como foco o ato criativo, entendido não só como produção de discurso ou estruturas, mas também de técnicas e ações. Abrange tanto o estudo das poéticas discursivas ou textuais (representado pela linha Poéticas da criação musical) quanto da construção de práticas de interpretação e performance (representada pela linha Práticas Interpretativas e seus processos reflexivos).

A área da Musicologia divide-se em duas grandes linhas. A linha Etnografia das práticas musicais tem fundamentação nos estudos etnomusicológicos e concentra-se na interação direta com práticas musicais regionais ou urbanas, trazendo para o contexto do Programa o contato com saberes externos ao meio acadêmico, e apresentando maior concisão temática. A linha História e documentação da música brasileira e ibero-americana, por outro lado, concentra-se nos estudos dos registros que geram conhecimento no contexto nacional e internacional dos estudos sobre a música e a cultura brasileira (dada a inserção de suas produções e de seus docentes permanentes).

A mais recente área de concentração do Programa, Educação Musical, consolidada no triênio 2009-2011, aborda ações e práticas musicais e pedagógicas ligadas ao desenvolvimento e bem estar integrado do indivíduo, apresentando-se no momento em linha de pesquisa única. A linha Música, Educação e Diversidade abrange os processos de ensino e aprendizagem em diferentes contextos sociais, formais e informais, educação especial, saúde mental e processos de inclusão, cujos espaços de investigação são, muitas vezes, externos à Escola de Música, como comunidades, hospitais, centros de tratamento e reabilitação.

1.2.3. Terceira fase

Em 2012, o PPGM-UFRJ entra em sua terceira fase, com áreas de concentração e linhas reformuladas, visando a sua melhor definição e otimização.

Foi promovida a adequação do número de projetos de pesquisa vinculados ao Programa, com distinção mais clara entre Pesquisa, Desenvolvimento e Extensão e o fomento de formação de grupos de pesquisa.

Todas as linhas passaram a contar com infraestrutura de Laboratórios próprios, com mobiliário e equipamento especializado para suas funções e demandas específicas. Houve um esforço no sentido de equilibrar a presença das linhas de pesquisa na produção do programa, com a inclusão da linha de Educação Musical ao curso de Doutorado a partir do período de 2018-2 e o lançamento de novas publicações e eventos, mais  especializados, para dar conta dos vários temas e métodos abordados nas pesquisas.

1.2.4. Presente e futuro

No momento, estão em curso as ações que visam tanto a proporcionalidade entre frentes de pesquisa e dimensão do corpo docente, quanto à valorização da interação entre linhas e grupos de pesquisa e projetos desenvolvidos coletivamente, com docentes e alunos do programa, bem como com pesquisadores externos:

1) A criação e consolidação de grupos de pesquisa ativos e com expressiva produção intelectual, artística e técnica. No momento, há 13 grupos em atividade no Programa, com estrutura transversal às linhas, contribuindo assim para estudos interdisciplinares, necessários dentro das pesquisas em Artes.

2) A promoção do diálogo entre os grupos de pesquisa através da estruturação do Colóquio de Pesquisa do Programa em comunicações sequenciais e em sessão única, de forma que todos os integrantes do Programa possam dialogar e trocar experiências e críticas, além da abertura para a participação de pesquisadores externos de todas as regiões do país.

3) O empenho no sentido de fortalecer a produção das linhas de pesquisa menos populadas, pelo encaminhamento de professores recém-doutores para atuação como colaboradores e professores externos como convidados em disciplinas ou como professores visitantes.

4) O estímulo a docentes do Programa à participação em Congressos nacionais ou internacionais, através de fomento de passagens, hospedagem, e pela disseminação de informação e interlocução entre centros.

Em fevereiro de 2015, a Coordenação de Área da CAPES emitiu parecer favorável à implantação do Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O curso teve início em agosto de 2015, com turma de 20 alunos e oferta de disciplinas compartilhadas com professores de outras IFEs. Desde então a procura têm sido crescente, tendo o Programa no momento um total de 150 alunos matriculados (turmas de 2015 a 2018, em Mestrado e Doutorado).

Houve também a inserção do programa no Programa Nacional de Pós-Doutorado, com o acolhimento de quatro alunos bolsistas.

Em 2016, houve a primeira oferta de bolsas-sanduíche alunos do curso de Doutorado. Desde então, cinco alunos cumpriram o programa, com oferta anual de uma cota.

Paralelamente, alguns alunos já estão fazendo intercâmbio através de programas independentes, como o Erasmus, Fullbright e o Ibermusicas.

Como próximos passos, o PPGM-UFRJ pretende aprimorar o processo de verticalização e integração com a Graduação, fomentar o processo já em curso de internacionalização, firmando novos convênios e intercâmbios, e lançar novas publicações, focadas nos campos de conhecimento desenvolvidos no Programa.

Ventura

1.3. PPGM-UFRJ (contexto regional)

O contexto regional do Programa, pela localização em uma das maiores capitais do país e pólo cultural de âmbito nacional, é privilegiado.

A demanda anual de inscrições discentes para o PPGM-UFRJ na cidade do Rio de Janeiro tem sido intensa e consistente.

O Instituto Villa-Lobos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) é instituição parceira da Escola de Música da UFRJ, tendo convênio institucional firmado que permite o compartilhamento de disciplinas coletivas e o aproveitamento de créditos entre os Programas de Pós-graduação, com intercâmbio de docentes em atividades de ambos os Programas, e com benefícios para os alunos de ambas as instituições. Além disso, o perfil complementar de ambos os Programas favorece a procura de discentes por vagas em áreas de pesquisa distintas. Diversas disciplinas, tanto obrigatórias como optativas, têm sido oferecidas de forma compartilhada pelos PPGMs das duas instituições. 

As demais Instituições de Ensino Superior (IES), na microrregião, que vêm ainda se estruturando e não possuem programas de pós-graduação na área (embora possuam cursos de graduação na área e cursos de pós-graduação em áreas afins), são:

1. Universidade Federal Fluminense (UFF)
2. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
3. Universidade Candido Mendes Nova Friburgo (UCAM)
4. Centro Universitário de Barra Mansa (UBM)
5. Conservatório de Música de Niterói (CMN)
6. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
7. Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES)
8. Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
9. Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ),

além de outros cursos em fase de implantação. Desta forma, o PPGM-UFRJ tem se consolidado como um Programa importante para o desenvolvimento da pesquisa em música na região.

A interlocução do trabalho dos grupos de pesquisa do PPGM-UFRJ tem fomentado, dentro do contexto regional, a colaboração entre Programas de dentro da própria UFRJ (como o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, da Escola de Belas Artes da UFRJ, a Escola Politécnica da UFRJ ou o Instituto de Psiquiatria – IPUB, entre muitos outros), assim como a colaboração com outros Programas em Música (como exemplo, o já citado PPGM da UNIRIO).

Como programa pioneiro, em seus 36 anos de existência o PPGM-UFRJ contribuiu diretamente para o desenvolvimento da área, tendo sido formador de parte significativa dos pesquisadores em música do país, assim como do corpo docente de grande parte dos demais programas de pós-graduação em Música e cursos de graduação em Música brasileiros.

Sua influência e abrangência continua em expansão, com número crescente de pós-graduandos de vários estados brasileiros e do exterior. Nos último quadriênio (2014-2017), os seguintes números de alunos externos foram atendidos no curso de Mestrado:

Turma 2014 – 32 formandos, sendo 10 externos ao Rio de Janeiro (distribuídos entre Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, e Paraná).

Turma 2015 – 42 formandos, sendo 8 externos ao Rio de Janeiro, (distribuídos entre Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina).

Turma 2016 – 26 formandos, sendo quatro externos ao Rio de Janeiro (distribuídos entre Espírito Santo, São Paulo e Paraná).

Turma 2017 – 14 formandos, sendo três externos ao Rio de Janeiro (distribuídos entre Espírito Santo e Goiás).

Turma 2018 – 27 formandos, sendo 7 externos ao Rio de Janeiro (distribuídos entre Ceará, Goiás, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe).

O curso de Doutorado, iniciado em 2015, ainda não teve a sua primeira turma finalizada, mas a entrada de alunos matriculados se configura da seguite forma:

Turma 2015 – 19 ingressantes, todos do Rio de Janeiro.

Turma 2016 – 26 ingressantes, sendo três externos ao Rio de Janeiro (Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Norte).

Turma 2017 – 9 ingressantes, sendo dois externos ao Rio de Janeiro (Goiás e Paraíba).

Turma 2018 – 25 ingressantes, sendo quatro externos ao Rio de Janeiro (distribuídos entre Cuba, Espírito Santo e Tocantins).

PPGM-UFRJ (produção)

O corpo docente do PPGM-UFRJ destaca-se em atividades técnicas e administrativas de alta qualidade, dentro e fora da Universidade, em nível nacional e internacional, bem como com representações variadas em sua área de atuação, mostrando o grau de inserção de seus membros no contexto acadêmico e profissional.

A análise dos indicadores extraídos do desempenho do Programa no último quadriênio sinaliza que a tendência de desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão propostos pelos docentes está crescentemente ligada ao perfil produtivo de seus egressos.

Dentre os resultados mais significativos da produção vinculada às linhas de pesquisa do Programa, encontram-se:

1. Projetos de realização, divulgação e discussão de música brasileira e contemporânea e da pesquisa em criação e musicologia sistemática:

a) Projeto Compositores (ativo desde 2013), constituído de encontros com compositores consagrados em âmbito nacional e internacional com alunos de composição e público em geral, para comunicação de informação sobre obras e realização de masterclasses; em 2016 a 2018, o Projeto recebeu compositores como Arthur Kampela, Marcos Mesquita, Mark Hagerty (EUA), Tatiana Catanzaro, Borislava Taneva (Bulgaria), Guilherme Bertissolo, Rael Toffolo, Clarice Assad, Bernardo Ramos.

b) Panorama da Música Brasileira Atual (com mais de 30 anos de tradição), serie de concertos com dezenas de estreias de música brasileira nova, inclusive sinfônicas, em conjunção com o Concurso de Composição Escola de Música da UFRJ; em 2018, foi realizada a XXIX edição, com pelo menos 58 estreias para formações instrumentais e vocais diversas, além de orquestra sinfônica e de sopros, além da realização do Concurso Nacional Escola de Música da UFRJ – Homenagem a José Siqueira, com premiação e estreias de três obras sinfônica na abertura do Festival.

c) Projeto de extensão ‘Eletroacústicas’, coordenado pelo prof. Rodrigo Cicchelli, com divulgação do repertório eletroacústico nacional e internacional pela Rádio MEC FM, com cobertura em território nacional e inclusão de estreias e entrevistas com compositores e instrumentistas envolvidos. Em 2018, foram 53 programas, com diversas estreias de obras brasileiras e internacionais.

d) A III edição do Congresso Nacional de Música e Matemática reuniu palestrantes de várias regiões do país e também de vários países. Com o tema “Inovações conceituais e a prática composicional”, contou com a participação de Robert Peck (LSU), Richard Cohn (Yale), Robert Morris (Eastman), Stephen Guerra (Miami), além de diversos pesquisadores nacionais, como Didier Guigue (UFPB), José Augusto Mannis (UNICAMP), Arthur Kampela (UNIRIO), Carlos Volotão (IME), entre outros. O eventou tornou-se um dos mais importantes do país na área da Musicologia Sistemática. Em 2019, o PPGM-UFRJ lança a primeira edição internacional do evento, realizada em concomitância com o III Congresso da Associação Nacional de Teoria e Análise Musical – TeMA.

2. Projetos de divulgação e publicação de conhecimento musicológico:

a) Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ, um dos mais expressivos eventos de Musicologia da América Latina, envolve dezenas de pesquisadores de todo o mundo, com palestras, mesas redondas, concertos e publicação de livros e anais do evento. Em sua IX edição, com o tema Música, Universidade e Socialização do Conhecimento, dentro das comemorações de aniversário de 170 anos da Escola de Música da UFRJ reuniu pesquisadores de todo o país para discussão de temas ligados à importância da Universidade e da pesquisa para o desenvolvimento social do país.

b) Projeto Rodas para Pensar, coordenado pela linha de Etnografia das Práticas Musicais, reunindo pesquisadores da área para discussão sobre o trabalho em música, tema de projetos de pesquisa da linha.

c) O grupo de pesquisas Africanias promoveu em 2018 a II edição da Jornada Africanias UFRJ, com homenagem à etnolinguista Professora Yeda Pessoa de Castro (UFBA), fundadora do conceito de “africanias”. A Jornada reuniu pesquisadores de várias regiões do país e foi constituída por palestras, mesas redondas, comunicações e concertos.

d) Em 2018, o PPGM-UFRJ também abrigou a II edição do Congresso Internacional “A Língua Portuguesa em Música: Diálogos”, promovido pelo grupo de pesquisa Polo Caravelas Brasil em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa e o Caravelas Portugal. O evento reuniu pesquisadores nacionais e internacionais para comunicações, mesas redondas e concertos ligados ao tema dos diálogos que o Português tem estabelecido com outras línguas no âmbito musical.

3. Projetos de promoção da construção do conhecimento em práticas interpretativas:

a) Simpósio Nacional Villa-Lobos (IV edição em 2016), realizado em conjunto com um dos mais reconhecidos Festivais de Música da América Latina, o Festival Villa-Lobos (em sua 56a edição em 2016), reúne pesquisadores da obra e da interpretação do compositor e de música brasileira em geral para palestras, comunicações de pesquisas em andamento e concertos, com publicação de anais em formato eletrônico.

b) Semana do Cravo reúne pesquisadores do repertório e interpretação do instrumento em âmbito nacional e internacional, com mesas redondas e concertos. Em sua XV edição (2018), foram abordados os temas ”Quinze anos da Semana do Cravo: retrospectiva e futuro”; “O cravo brasileiro no século XX e XXI e suas vertentes na música de concerto e na música popular”; e “350 anos de nascimento de François Couperin” e “J. S. Bach: o piano, o cravo, o clavicórdio e o fortepiano”, com a presença dos principais pesquisadores da musicologia histórica e prática interpretativa do instrumento.

c) Em 2018, iniciou-se o evento seriado “Jornada do Violão”, com curadoria do grupo de pesquisa NEV – Núcleo de Estudos do Violão. Coordenado pela pesquisadora e professora Marcia Taborda, o evento oferece masterclass e recital do gaúcho Daniel Wolff e palestra com o luthier Ricardo Dias, sobre a luteria e a formação da música. Haverá também uma mesa redonda sob o tema Caminhos do violão: ensino, técnica e mercado de trabalho, mediada por Paulo Pedrassoli e formada por Marco Pereira, Nicolas De Souza Barros, Frederico Barros e Daniel Wolff. A programação inclui ainda o painel O violão na produção acadêmica atual, no qual participam Valmir Oliveira (que aborda o violão como instrumento musicalizador), Elodie Bouny (sobre o Concurso Novas), Paula Borghi (Obras para violão solo de Mauricio Carrilho) e Fernando Cury (A obra de Arthur Kampela para violão solo).

4. Projetos de integração do PPGM-UFRJ com outras unidades, visando a construção de um conhecimento musical voltado para a promoção da saúde e do bem estar:

a) Jornada Interdisciplinar de Som e Música no Audiovisual – promovido em conjunto com a Cinemateca do MAM, a JISMA teve sua primeira edição em 2016, e é um evento com mesas-redondas reunindo pesquisadores de som e música sobre diversos objetos audiovisuais. Corrobora e legitima a existência de um campo interdisciplinar que tem crescido nos últimos anos, tanto na área de Música quanto na de Cinema/Comunicação e na de Artes, com o surgimento e proliferação de artigos, dissertações e teses. Em sua III edição, a JISMA reuniu pesquisadores do país todo, se consolidando como evento de referência para a área.

5. Eventos produzidos a partir das pesquisas desenvolvidas no Programa:

a) Projeto Escola de Música de Manguinhos está sendo continuado por docentes do Programa, tendo por objetivo principal proporcionar ensino de música a crianças, jovens e adultos da Comunidade do mesmo nome, visando a contribuir para a formação desses alunos e/ou para a profissionalização dos mesmos, e integrando a área de Educação em estágios e desenvolvimentos de projetos.

b) Projeto Som da Maré, desenvolvido na comunidade homônima, tem como base metodologias desenvolvidas para o “Sounds of the City – Belfast”, (encomendado pelo Metropolitan Art Centre, para a sua abertura em 2012). Nesse âmbito, o projeto tem como foco o trabalho com moradores no desenvolvimento de temas que podem formar a base de uma exposição de arte sonora de grande escala. O projeto utiliza métodos colaborativos e participativos para garantir um nível de autoria pelos próprios habitantes e moradores no intuito de contribuir para a celebração da cultura local. Este projeto é ligado à linha ‘Etnografia das práticas musicais’. O grupo de pesquisa “Laboratório de Etnomusicologia”, junto com o grupo “Musicultura”, ambos coordenados pelo prof. Samuel Araujo, têm mantido as atividades em caráter de resistência, a partir da situação crônica de ataque do Estado à comunidade da Maré, culminando no assassinato brutal da vereadora Marielle Franco, que cresceu em contato direto com o projeto e tornada assim símbolo da luta das comunidades contra as forças opressivas.

c) Colóquio de Pesquisa do PPGM-UFRJ. O Colóquio de pesquisa se consolida como evento de âmbito nacional, por demanda das próprias instituições externas, com participantes de todas as regiões do país. A publicação dos Anais do Colóquio foi retomada, mas a partir do ano de 2016 a periodicidade foi perdida, por dificuldades de gerir a grande afluência de artigos. Apesar disso, todas as comunicações têm sido transmitidas e disponibilizadas pela Internet, na página do Facebook do PPGM-UFRJ, o que passou a emprestar uma qualidade interativa ao evento.

Além disso, o PPGM-UFRJ ofereceu em 2018 disciplinas com professores convidados: Analu Cunha (UERJ); Fernando Morais da Costa (UFF); Cesar Buscacio (UFOP); José Augusto Mannis  (UNICAMP); Alexandre Fenerich, Carole Gubernikoff, Erica Giesbrecht, Inês Rocha, Maya Lemos, Vicenzo Cambria (UNIRIO); André Luiz Gonçalves de Oliveira (UNOESTE); Ricardo Ballestero (USP).

A produção dos docentes e discentes do PPGM inclui também diversas apresentações de trabalhos orais, artísticos e publicações no exterior.