O Laboratório de Etnomusicologia, o Programa de Pós-Graduação em Música e a Escola de Música da UFRJ convidam para o próximo evento da série Música em Debate:
Palestra com Xavier Vatin, doutor em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, professor associado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e pesquisador associado do CNRS e da Université Lumière Lyon 2, na França.
Dia 08 de julho, sexta-feira, às 18 horas
Sala 2114 da Escola de Música, Ed. Ventura, Av. Chile 330, Torre Leste, Centro
(atenção: é vedada a entrada no edifício de visitantes trajando bermuda e/ou chinelos)
Resumo:
Em sete de setembro de 1940, o linguista afro-americano Lorenzo Turner desembarca na Bahia, após ter sido ciceroneado no Rio de Janeiro por Mário de Andrade. O projeto de Lorenzo Turner consiste em gravar e estudar as línguas africanas faladas e cantadas nos candomblés da Bahia (yoruba, fon, kikongo, kimbundu, entre outras) no intuito de compará-las com aquilo que registrou na década de 1930 com os Gullah, descendentes de escravos em situação de isolamento geográfico na região das ilhas Sea Islands, no litoral da Carolina do Sul e da Georgia, nos EUA. O objetivo de Turner é comprovar a preservação de um fundo linguístico oeste-africano em locais e comunidades peculiares da diáspora africana nas Américas.
Dois anos antes das gravações do antropólogo Melville J. Herskovits e seis anos antes da chegada de Pierre Verger na Bahia, Lorenzo Turner, ao longo de sete meses de pesquisas intensivas realizadas em Salvador e no Recôncavo, grava, registra e fotografa os mais eminentes sacerdotes e sacerdotisas dos candomblés da época: Martiniano do Bonfim, Menininha do Gantois, Joãozinho da Goméia, Manoel Falefá, entre outros. O acervo extraordinário e inédito coletado por Lorenzo Turner na Bahia representa um total de 17 horas de gravações linguísticas e musicais, além de fotografias, anotações de campo, correspondências e transcrições linguísticas.
Martiniano do Bonfim, que tinha vivido cerca de uma década em Lagos, na Nigéria, e, mais surpreendentemente, Mãe Menininha do Gantois, que nunca tinha ido à África, falam e conversam fluentemente em yoruba nas gravações de Turner. Quanto ao conteúdo musical, Turner gravou centenas de cantigas assim como todos os toques percussivos do candomblé, com os iniciados e alabês mais respeitados da época. As gravações de Lorenzo Turner constituem a única prova material de que línguas africanas ainda eram faladas no dia-a-dia do povo-de-santo da Bahia até a década de 1940 além de manter intactas cantigas e rezas antigas do candomblé, nas vozes de figuras históricas da cultura afro-brasileira, ilustres representantes daquilo que a diáspora africana nas Américas tem produzido de mais belo e fascinante.

Escrito por Pauxy

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